As vacinas da Gripe A H1N1 só deverão chegar a Portugal em Dezembro ou mesmo em Janeiro EPA
O Governo português prevê que a Gripe A H1N1 possa contaminar cerca de dois milhões de portugueses. As previsões são anunciadas pela Direcção Geral da Saúde (DGS) que admite ainda que a pandemia se alastre mais profundamente no próximo Outono e Inverno. Em Portugal o número de casos desde Maio já chegou às 111 pessoas infectadas.
GRIPE A NAS ÚLTIMAS 24 HORAS
Investigação laboratorial realizada nas últimas 24 horas confirmou a existência de quatro casos de infecção pelo vírus da Gripe A (H1N1), em Portugal.
No Hospital Curry Cabral, em Lisboa, estão internados um homem de 21 anos, proveniente de Ibiza, e uma mulher de 36 anos, que veio do Rio de Janeiro.
Um homem de 41 anos, que regressou de Palma de Maiorca, e uma criança de 7 anos, do sexo masculino, infectada por transmissão secundária, estão referenciados para o Hospital de São João, no Porto.
Desde o início de Maio, verificou-se, em Portugal, um total cumulativo de 111 casos confirmados de Gripe A (H1N1). Estas pessoas retomaram a sua vida diária, com normalidade. O Ministério da Saúde relembra que é fundamental a participação activa por parte dos cidadãos, e dos próprios profissionais de saúde, no sentido de comunicarem às Autoridades qualquer contacto próximo com alguém infectado pelo vírus da Gripe A (H1N1). Só com a colaboração de todos podemos garantir a eficácia das medidas tomadas.
O surgimento de casos de transmissão secundária e o aumento de casos importados eram previsíveis pelas autoridades de saúde pública, tendo em conta a evolução natural da epidemia. Não há, por isso, qualquer razão para alarme, mas sim para uma atenção redobrada.
São actualmente considerados locais de referência para a Gripe A (H1N1) os hospitais Curry Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, os hospitais de São João e de Santo António, no Porto, os Hospitais da Universidade de Coimbra, o Hospital de Vila Real, o Pediátrico de Coimbra e o Hospital de Faro. Mantém-se como objectivo principal a imediata localização e contenção dos casos.
O Ministério recomenda também a toda a comunidade - famílias, escolas, empresas, etc. - que colabore, adoptando comportamentos que dificultem a transmissão do vírus.
Além da identificação, isolamento e tratamento dos casos, o Ministério da Saúde, através da Direcção-Geral da Saúde, em colaboração com a Escola Nacional de Saúde Pública e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, está, há dois meses, a analisar essa resposta social à transmissão, reportando-a periodicamente, para que os comportamentos da comunidade se adaptem à situação epidemiológica.
O Ministério da Saúde alerta, mais uma vez, os cidadãos para, em caso de sintomas de gripe, independentemente de terem viajado para fora do país, contactarem de imediato a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e seguirem as indicações que lhes são dadas. Esta deve ser a primeira medida a tomar antes de se dirigirem a um serviço de saúde.
O contacto com a Linha de Saúde 24 permite, perante os sintomas descritos e informações prestadas pelo utente, reconhecer se se trata de uma suspeita de Gripe A.
Isto evita o incómodo de uma ida desnecessária a um serviço de saúde.
Em caso de suspeita de infecção pelo vírus da Gripe A, o contacto inicial com a Linha de Saúde 24 garante ao utente o transporte imediatopara um dos oito hospitais de referência, em condições que salvaguardam a sua saúde e a das pessoas que com ele contactam, diminuindo o risco de contágio da infecção.
O Ministério da Saúde tomará as medidas previstas no Plano de Contingência que venham a revelar-se necessárias em cada momento e garante que as autoridades de saúde monitorizam permanentemente o evoluir da situação.
O Ministério da Saúde reforça ainda, entre outras recomendações, a importância da lavagem frequente das mãos, da protecção da boca e do nariz ao tossir ou espirrar, sempre que possível com lenços de papel que não devem ser reutilizados, para evitar a rápida propagação do vírus.
O Ministério da Saúde faz, diariamente, o ponto de situação da evolução da infecção da Gripe A no seu site (http://www.portaldasaude.pt/). A mesma informação pode também ser consultada no Microsite da Gripe, no site da Direcção‐Geral da Saúde (http://www.dgs.pt).A Direcção Geral da Saúde está desde já a prevenir os portugueses que a pandemia da Gripe A chegará em força a Portugal nos próximos meses, com incidência nos próximos Outono e Inverno, altura em que dois milhões de portugueses poderão ser infectados.
Perante esta situação é bem provável que as ausências nos empregos sejam em grande número e as escolas poderão ser encerradas, embora a DGS refira que tal situação possa acontecer, mas apenas pontualmente.
Para já, e segundo anunciou a ministra da Saúde, Portugal só terá vacinas para a Gripe A H1N1 em Dezembro, ou mesmo em Janeiro, e numa primeira fase da utilização das vacinas não serão vacinadas grávidas nem crianças, isto numa medida de precaução para avaliar o impacto desta nova vacina na população em geral.
Recorde-se que o Ministério da Saúde fez uma pré-reserva de três milhões de vacinas contra a Gripe A, serão seis milhões de doses que vão custar 45 milhões de euros.
Comissão Europeia alerta
Ainda em relação à vacinação a Comissão Europeia também efectuou um apelo aos países membros para vacinarem contra a gripe sazonal pelo menos 75 por cento dos idosos e doentes crónicos, uma recomendação que chega depois de Bruxelas ter constatado que há uma grande discrepância entre os 27 países da EU.
A gripe sazonal irá atingir a Europa dentro de meses, por isso o executivo comunitário apela ainda ao reforço da capacidade de produção de vacinas, também contra a gripe A, lembrando que no ano passado a taxa de vacinação variava entre os 2 por cento da população com mais de 65 anos na Lituânia e os 80 por cento na Holanda.
Já em Portugal apenas 40 por cento dos grupos de risco foram vacinados contra a gripe sazonal.
Já em relação ao uso de máscaras de protecção, o seu uso não deverá ser indiscriminado sendo aconselhados a usá-las apenas os doentes infectados.
Igreja católica toma medidas
O alastrar da Gripe A levou também a que a Igreja Católica tome algumas medidas de prevenção e assim a partir de hoje os padres católicos vão receber uma circular da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde com orientações para evitar a propagação da Gripe A.
No documento pede-se aos sacerdotes que divulguem nas missas formas de como evitar o contágio, salientando o lavar das mãos com água e sabão com frequência e o de permanecer em casa se ficar doente e ainda a utilidade de utilizar um lenço de papel para cobrir a boca e o nariz quando tossir ou espirrar.
A circular aconselha ainda que as igrejas sejam arejadas, sobretudo nas missas dominicais, as pias baptismais devem estar vazias para evitar a transmissão do vírus.
CGTP E UGT avisam
Ao nível do trabalho, tendo em atenção o elevado nível de abstenção que se espera nas empresas, a centrais sindicais já lançaram um aviso com a CGTP e a UGT a alertarem para o facto da Gripe A não poder ser usada como pretexto para os patrões deixarem de pagar salários.
De acordo com a lei do trabalho, todos os trabalhadores em risco de ficarem infectados com o vírus da gripe A, e que sejam impedidos de trabalhar, irão perder 25 por cento do ordenado, o que significa que num vencimento de mil euros são menos 250 euros por 22 dias úteis passados em casa, algo que para a centrais é inadmissível haver um corte nos salários desta forma.
Para a próxima semana está marcada uma reunião com o Ministro do Trabalho em sede de concertação social onde este tema será abordado.