"Agradou-me bastante a distinção porque concilia méritos literários com exactidão médica, o que foi positivo, pois estava com receio de ter elementos pouco exactos em termos médicos no livro", declarou à escritora à Agência Lusa.
O Prémio Charles Bisset, segundo palavras da escritora, é atribuído a "quem através da literatura consiga penetrar nos sentidos humanos".
Assinalando que não escreveu "propriamente sobre uma doença do foro mental", a autora reconhece que, para a feitura do livro, "mergulhou muito" no seu interior, além de ter observado o "silenciamento feroz de elementos exteriores".
"Vivemos tempos de grande solidão - observou - e é curioso que em França, ao contrário de Portugal, tenham descrito o livro como uma metáfora contemporânea das sociedades modernas".
Segundo a Dom Quixote, a editora de "Combateremos a Sombra", Lídia Jorge é a primeira autora portuguesa a receber este prémio, pela primeira vez atribuído em 1987 e que distingue obras que, pela sua qualidade, "evocam e aprofundam a problemática humana e que respeitem a verdade dessa problemática".
O galardão - com o nome de um médico e escritor inglês do século XVIII - será entregue à escritora durante o Salão do Livro, em Paris, em sessão em que estará presente e apresentará o livro o presidente da Associação Francesa de Psiquiatria, Michel Demangeant.
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