"Dos últimos 14 anos, 11 foram do Governo socialista e portanto não se pode dizer que a situação em que o país neste momento está é culpa do PSD", propugnou a presidente do maior partido da Oposição.
"Nós tivemos efectivamente um longo período de governação nos governos do professor Cavaco Silva. Foram dez anos e nesses dez anos todos os indicadores melhoraram, o país transformou-se", assinalou Ferreira Leite, evocando a experiência governativa do actual Presidente da República. Arredados do balanço da presidente social-democrata ficaram os consulados de Durão Barroso e Santana Lopes.
"As reformas são do PSD"
As "grandes transformações" correspondem, segundo Manuela Ferreira Leite, à matriz ideológica dos sociais-democratas. Mas o tempo actual é de crise económica e financeira e o país, que "está mais pobre", não pode suportar "as grandes obras públicas" preconizadas pela maioria socialista.
Retomando a principal frente de ataque do PSD, Ferreira Leite garantiu que irá "denunciar permanentemente que, a despeito de poder haver muitos interesses naquele tipo de iniciativas, os interesses do país têm de estar à frente dos interesses individuais".
Ainda no capítulo do legado do PSD, a líder da Oposição acusaria o Governo socialista de procurar "colar-se" às tradicionais linhas de acção sociais-democratas, "tentando com isso transformar os partidos políticos como se fossem quase iguais".
"O PS tem governado na base dos anúncios e do espectáculo", insistiu Ferreira Leite, denunciando a aplicação de "muitos recursos financeiros apenas para propaganda, só para festa, só para teatro".
"Portugal fez-se para os portugueses"
No mesmo dia em que voltou a criticar a intenção dos socialistas de impedir que os emigrantes votem por correspondência, Manuela Ferreira Leite propôs-se "criar as condições" para que os emigrantes sejam impelidos a regressar ao país.
"Portugal fez-se para os portugueses. Portugal é dos portugueses e é para eles que nós temos que trabalhar para criar as condições para que sejam atraídos pelo nosso país", sustentou.
"Aquilo que eu mais desejaria é que o país reunisse as condições para poder albergar e receber todos aqueles que um dia, por motivos vários, tiveram de decidir sair", reforçou a presidente do PSD, para depois deixar claro que o partido vai continuar a dar atenção às "muitas centenas de milhar de portugueses que vivem espalhados por esse mundo fora e que têm tanta ligação a Portugal, tantos direitos sobre o país como qualquer um de nós que lá vive".
Perante os simpatizantes reunidos a Leste de Paris, Ferreira Leite classificou o diagnóstico que fez do país como um "panorama mais ou menos cinzento". "Só não o faço negro porque estamos seriamente a lutar e estamos convencidos de que vamos ganhar as eleições", rematou.
Sócrates condena "maledicência""Eu lamento que os partidos não aproveitem este momento para apresentarem as suas propostas e as suas sugestões, mas que se entreguem apenas à maledicência, ao bota-abaixismo, à caracterização do país em que tudo está mal", afirmava ontem José Sócrates.
"Acho que não é disso que os portugueses estão à espera. Do que os portugueses estão à espera é que este momento seja aproveitado por todas as lideranças políticas para apresentarem os seus pontos de vista, as suas medidas, o seu programa político", contrapôs.
"Se alguém pensa que constrói um programa político com base apenas na maledicência, no bota-abaixo, na crítica fácil, não constrói", concluiu o primeiro-ministro.