terça, 09 fevereiro 2010 | 20:10

PSD acentua ataque

por Carlos Santos Neves, RTP actualizado às 13:34 - 15 Março '09

Ferreira Leite atribui progresso a governos de Cavaco

publicado 07:47 15 Março '09
O projecto socialista de alteração à lei eleitoral para o Parlamento volta a estar na mira de Manuela Ferreira Leite Sérgio Azenha, Lusa

Os dez anos dos governos sociais-democratas de Cavaco Silva lançaram as bases para o desenvolvimento do país e o PS interrompeu o ciclo de progresso, defende Manuela Ferreira Leite. A presidente do PSD conclui hoje uma visita a Paris marcada por novo acervo de críticas ao Executivo de José Sócrates e pela aproximação à comunidade emigrante.

Foi em Pontault-Comboult que a líder social-democrata procurou ontem vincar uma linha de demarcação entre os partidos do Rato e da São Caetano à Lapa. Perto de 200 pessoas reunidas para um jantar nos arredores da capital francesa ouviram Manuela Ferreira Leite desdobrar-se em críticas ao currículo do PS ao leme do poder executivo. Os socialistas, disse, "governam para alguns e não para todos", ao passo que o PSD trabalha "acima de interesses individuais".

"Dos últimos 14 anos, 11 foram do Governo socialista e portanto não se pode dizer que a situação em que o país neste momento está é culpa do PSD", propugnou a presidente do maior partido da Oposição.

"Nós tivemos efectivamente um longo período de governação nos governos do professor Cavaco Silva. Foram dez anos e nesses dez anos todos os indicadores melhoraram, o país transformou-se", assinalou Ferreira Leite, evocando a experiência governativa do actual Presidente da República. Arredados do balanço da presidente social-democrata ficaram os consulados de Durão Barroso e Santana Lopes.

"As reformas são do PSD"

As "grandes transformações" correspondem, segundo Manuela Ferreira Leite, à matriz ideológica dos sociais-democratas. Mas o tempo actual é de crise económica e financeira e o país, que "está mais pobre", não pode suportar "as grandes obras públicas" preconizadas pela maioria socialista.

Retomando a principal frente de ataque do PSD, Ferreira Leite garantiu que irá "denunciar permanentemente que, a despeito de poder haver muitos interesses naquele tipo de iniciativas, os interesses do país têm de estar à frente dos interesses individuais".

Ainda no capítulo do legado do PSD, a líder da Oposição acusaria o Governo socialista de procurar "colar-se" às tradicionais linhas de acção sociais-democratas, "tentando com isso transformar os partidos políticos como se fossem quase iguais".

"O PS tem governado na base dos anúncios e do espectáculo", insistiu Ferreira Leite, denunciando a aplicação de "muitos recursos financeiros apenas para propaganda, só para festa, só para teatro".

"Portugal fez-se para os portugueses"

No mesmo dia em que voltou a criticar a intenção dos socialistas de impedir que os emigrantes votem por correspondência, Manuela Ferreira Leite propôs-se "criar as condições" para que os emigrantes sejam impelidos a regressar ao país.

"Portugal fez-se para os portugueses. Portugal é dos portugueses e é para eles que nós temos que trabalhar para criar as condições para que sejam atraídos pelo nosso país", sustentou.

"Aquilo que eu mais desejaria é que o país reunisse as condições para poder albergar e receber todos aqueles que um dia, por motivos vários, tiveram de decidir sair", reforçou a presidente do PSD, para depois deixar claro que o partido vai continuar a dar atenção às "muitas centenas de milhar de portugueses que vivem espalhados por esse mundo fora e que têm tanta ligação a Portugal, tantos direitos sobre o país como qualquer um de nós que lá vive".

Perante os simpatizantes reunidos a Leste de Paris, Ferreira Leite classificou o diagnóstico que fez do país como um "panorama mais ou menos cinzento". "Só não o faço negro porque estamos seriamente a lutar e estamos convencidos de que vamos ganhar as eleições", rematou.

Sócrates condena "maledicência"

A partir de Cabo Verde, José Sócrates descreveu a ofensiva política empreendida pela liderança de Manuela Ferreira Leite como um exercício de "maledicência". Em entrevista à RTP, o primeiro-ministro distribuiu críticas à esquerda e à direita, apontando mesmo o dedo aos sindicatos afectos à CGTP, que acusou de estarem ao serviço das agendas do PCP e do Bloco de Esquerda.

"Eu lamento que os partidos não aproveitem este momento para apresentarem as suas propostas e as suas sugestões, mas que se entreguem apenas à maledicência, ao bota-abaixismo, à caracterização do país em que tudo está mal", afirmava ontem José Sócrates.

"Acho que não é disso que os portugueses estão à espera. Do que os portugueses estão à espera é que este momento seja aproveitado por todas as lideranças políticas para apresentarem os seus pontos de vista, as suas medidas, o seu programa político", contrapôs.

"Se alguém pensa que constrói um programa político com base apenas na maledicência, no bota-abaixo, na crítica fácil, não constrói", concluiu o primeiro-ministro.

 

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