terça, 09 fevereiro 2010 | 18:22

Morticínio nas Filipinas

por Paulo Alexandre Amaral, RTP actualizado às 17:48 - 23 Novembro '09

Disputa eleitoral na origem de massacre sem precedentes em Mindanao

publicado 17:17 23 Novembro '09
"Uma sociedade civilizada não tem lugar para este tipo de violência", afirmou a Presidente filipina, Gloria Arroyo Dennis M. Sabangam, EPA

Um grupo armado sequestrou 40 pessoas nas Filipinas, entre as quais jornalistas e políticos, tendo 21 sido encontradas sem vida. O ataque foi levado a cabo na ilha de Mindanao, com as agências internacionais a situarem o massacre no contexto das eleições marcadas para Maio. A Presidente Gloria Arroyo já destacou um contingente militar para conter focos de tensão.

De acordo com a Reuters, o sequestro ocorreu quando uma mulher se preparava para entregar os documentos relativos à candidatura do marido, chefe da família Mangudadadtu, um dos clãs que tradicionalmente disputam o poder na província de Maguindanao.

Relatos locais sustentam que entre os mortos estão 12 jornalistas - o que já mereceu uma nota de indignação da União Nacional de Jornalistas das Filipinas -, bem como a mulher do homem forte dos Mangudadatu.

A BBC registou as declarações do próprio chefe da família - que disputa a soberania daquela província da região de Mindanao com os Ampatuan -, tendo este referido a chamada telefónica da mulher, Genalyn Tiamzon-Mangudadatu, antes de esta ser sequestrada e assassinada.

"Ela disse-me... eles foram mandados parar por 100 homens armados e em uniforme... e depois a chamada caiu", explicou Ismael Mangudadatu.

Genalyn Tiamzon-Mangudadatu viajava na companhia de dois advogados, vários membros da família e jornalistas, num total de cerca de 40 pessoas. As autoridades acreditam que, apesar de apenas terem sido recuperados 21 corpos, todos terão sido mortos, encontrando-se enterrados em local ainda desconhecido.

Violência pontua disputas regionais filipinas
A violência entre grupos rivais em tempo de actos eleitorais é um fenómeno que tem raízes nas Filipinas. No entanto, as autoridades destacam a violência extrema que foi empregue durante este ataque, assinalando que os corpos foram mutilados e, de acordo com indicações não confirmadas oficialmente, algumas das vítimas terão sido decapitadas.

"Algumas das vítimas foram mutiladas. Há sinais de mutilação. No entanto, e apesar dos relatos de decapitações, não recebemos até ao momento qualquer confirmação dessa possibilidade", declarou à BBC o tenente-coronel Romeo Brawner, na altura em que anunciava o resgate de 21 corpos, 13 mulheres e oito homens.

O oficial filipino sublinhou ainda, por seu lado, que, apesar de não serem inusuais os episódios de violência durante os períodos eleitorais, "este foi um dos mais sangrentos a que assistimos até aos dias de hoje".

Presidente Arroyo condena violência na região de Mindanao

Numa declaração após tomar conhecimento da chacina que vitimou grande parte do grupo sequestrado em Mindanao, a Presidente filipina Gloria Arroyo apressou-se a condenar o acto de violência, prometendo não poupar esforços para encontrar os responsáveis pelo massacre.

"Não serão poupados esforços para fazer justiça pelas vítimas e levar os responsáveis a responder perante a lei. Uma sociedade civilizada não tem lugar para este tipo de violência", sustenta Arroyo numa comunicação da Presidência.

O conselheiro da Presidente Arroyo na região já sugeriu a declaração do estado de emergência em Maguindanao, para onde o Governo enviou um contingente militar com a função de conter a tensão na província.

No entanto, Vaudine England, antigo correspondente da BBC nas Filipinas, sustenta que qualquer tentativa de acção por parte do poder central deverá ficar condicionada pelo facto de tanto os Mangudadatu como os Ampatuan serem aliados de Gloria Arroyo na região.

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