Contactado pela RTP, Carlos Alpoim, chefe da equipa de urgência, diz que a situação é complicada e anormal, tendo sido atendidos este sábado 500 doentes, 100 na unidade de Fafe e 400 em Guimarães, número que ultrapassa a normal capacidade do serviço. Apenas por volta das duas da manhã a situação ficou resolvida.
Dias Santos, director clínico do Centro Hospitalar do Alto Ave, reconheceu que a situação nas urgências "se tornou insustentável" com o disparar de casos de utentes com sintomas de gripe A.
De acordo com fonte hospitalar, alguns dos utentes que recorreram ontem às urgências do Centro Hospitalar "fartaram-se de esperar" e deram largas à indignação.
Dias Santos disse compreender a indignação dos utentes: "Compreendo que as pessoas se sintam injustiçadas e percam a paciência. Ninguém gosta de estar à espera de ser atendido durante cinco ou seis horas consecutivas, mas nos últimos dias é o que tem acontecido com alguma frequência".
O responsável justifica a situação com o facto de a Urgência ter passado "de repente" de atender "cerca de 300 utentes por dia para cerca de 500 e mais pacientes". Dias Santos considera que a alteração "torna humanamente impossível a prestação de um serviço célere e com alguma qualidade, com o reduzido número de profissionais disponíveis".
"As normas solicitam às pessoas que se dirijam aos cuidados primários, mas isso quase nunca se verifica e os doentes concentram-se massivamente no hospital, entupindo literalmente o serviço", acrescentou o director clínico da unidade, garantindo que a situação já é do conhecimento da ministra da Saúde, Ana Jorge.
De acordo com o responsável do Centro Hospitalar do Alto Ave, na última deslocação à unidade, Ana Jorge reconheceu que "as urgências geral e pediátrica evidenciam necessidade de renovação", admitindo que a obra "poderá entrar brevemente em concurso".
Na altura a ministra deixava uma promessa: "Estamos na fase final desse projecto que todos queremos concretizar, para alcançar mais qualidade e motivação para os profissionais e responder bem às necessidades de saúde da população".