terça, 09 fevereiro 2010 | 19:16

Vacinar contra gripe H1N1

por RTP actualizado às 19:52 - 28 Novembro '09

A Ministra da Saúde quer que os médicos actuem segundo as "boas práticas"

publicado 15:12 28 Novembro '09
Ana Jorge confia na vacina contra a Gripe A H1N1 e quer que os médicos actuem de acordo com as boas práticas e não levem os grupos de risco a recusar a vacinação João Abreu Miranda, Lusa

Ana Jorge confirmou a morte de duas grávidas infectadas com o vírus da Gripe A H1N1, cujos bebes sobreviveram e outras duas mulheres que tendo tido os seus bebés prematuros se encontram em risco de vida. Quer umas quer outras não foram vacinadas com a vacina contra a gripe A.

A ministra da Saúde fez um forte apelo aos médicos para que reflictam sobre a vacinação contra a gripe A e depois actuem de acordo com "as boas práticas clínicas": Ana Jorge chamou a atenção dos médicos para o facto de "as reacções adversas desta vacina são iguais a todas as outras".

"Pedia que esses colegas médicos e enfermeiros lessem, estudassem o problema com as outras pessoas que têm maior conhecimento científico, que reflictam sobre isso e que façam aquilo que são as boas práticas clínicas", afirmou a responsável governamental pela área da saúde.

"Se uma das grávidas a quem foi aconselhado não fazer a vacina tiver um problema, de quem é a responsabilidade, pelo menos, a responsabilidade moral e ética?", questionou a ministra da Saúde, que lembrou que "devia ter-se consciência de que, apesar da gripe na grande generalidade ser benigna, existem grupos muito sensíveis que podem ter complicações".

Ana Jorge reafirmou "o apelo a todos os profissionais de saúde" para que ponderem "todas as indicações em função daquilo que é o conhecimento científico das reacções adversas da vacina", recordando que "o acto de fazer a prescrição é sempre um acto médico, mas a responsabilidade de a tomar é dos pais, que confiam nas indicações dos profissionais de saúde".

A ministra da Saúde reafirma a sua convicção de que "neste momento, faz sentido reforçar a importância da vacinação", recordando que, pela primeira vez, "uma pandemia tem, em tempo real, uma vacinação eficaz e segura".

Ana Jorge admitiu haver "pelo menos mais uma ou duas grávidas nos cuidados intensivos, que já tiveram as suas crianças, que foram partos pré-termo, que não foram vacinadas e correm risco de vida". "Por ser uma situação evitável, custa muito mais" afirma Ana Jorge que apela aos grupos de risco, sobretudo às grávidas, para contactarem os centros de saúde para serem vacinadas.

"Temos que apelar à consciência de todos, sobretudo, aos grupos de risco, às grávidas, que são um grupo de maior sensibilidade para desenvolver a forma grave desta doença", lembrando que já há "neste momento duas grávidas que falecerem e ficaram, pelo menos, dois recém nascidos órfãos".

Ana Jorge voltou a afirmar publicamente a sua total confiança na vacina para a gripe A, destacando que "as reacções adversas são iguais a todas as outras vacinas".

"Temos a Organização Mundial de Saúde a garantir que é seguro e penso que é suficiente para todos ponderarmos", acrescentou.

Além das grávidas, Ana Jorge insistiu na vacinação das crianças até aos dois anos, reforçando que "há vacinas disponíveis para os grupos de risco".

Ordem dos Médicos descarta responsabilidade dos médicosA Ordem dos Médicos já reagiu ao apelo feito pela ministra da Saúde e afastou responsabilidades por parte dos médicos no caso das grávidas que se recusaram a ser vacinadas contra a gripe A H1N1.

Pedro Nunes afirmou aos microfones da TSF, que «quando os doentes morrem, a culpa não é dos médicos, mas das doenças. Os médicos podem ter feito um esforço maior ou menor e poderão ser culpados se eventualmente não fizeram o maior esforço possível».

As declarações da ministra da Saúde não fazem «nenhum sentido» de acordo com o líder da organização representativa dos médicos portugueses.

«Era como tentar atribuir à senhora ministra a responsabilidade por não ter conseguido convencer todos os portugueses a vacinarem-se», exemplificou.

Pedro Nunes garante que «os médicos fazem o que podem e dão a sua opinião», sendo os doentes «livres de decidir», neste caso, se tomam ou não a vacina contra a gripe A.

Pedro Nunes recorda que os médicos têm uma opinião favorável sobre a vacina contra a gripe A e «positiva», mas lembra que «em todos os actos médicos há sempre uma margem de incerteza».

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