Olivença quer evitar a "morte" do português oliventino

A necessidade de evitar a "morte" do português oliventino foi hoje defendida pelos promotores de um debate, marcado para sábado na vila fronteiriça de Olivença (Espanha), onde o uso do português está hoje reduzido aos idosos.

A jornada sobre o português oliventino está a cargo da associação cultural Além Guadiana, devendo contar na abertura com a presença do presidente da Junta da Extremadura espanhola, Guillermo Fernández Vara.

Em Olivença, historicamente disputada por Portugal e Espanha, fala-se o português desde a Idade Média, embora o seu uso se encontre hoje reduzido às camadas mais idosas, quando estão em "ambiente familiar".

"Esta jornada é da máxima importância, uma vez que o português oliventino está quase morto", reconheceu hoje Manuel Sánchez, da direcção da associação Além Guadiana.

"Acima de tudo, queremos dar a conhecer esta realidade. Queremos revitalizar este dialecto e dar dignidade ao português", afirmou, em declarações à agência Lusa.

Olivença está localizada na margem esquerda do Rio Guadiana, a 23 quilómetros da cidade portuguesa de Elvas e a 24 quilómetros de Badajoz (Espanha).

Linguisticamente, segundo Manuel Sánchez, o português de Olivença é considerado como "um subdialecto alentejano com superstracto espanhol".

Para Manuel Sánchez, a jornada luso-espanhola reveste-se da "maior importância", depois de, há dois meses, o Conselho da Europa ter emitido um relatório no qual aconselha medidas de protecção e promoção do português em Olivença, bem como de outras línguas e dialectos minoritários do continente europeu.

"Esta iniciativa servirá para dar a conhecer que o português oliventino faz parte da história daquele povo e que não é nenhuma vergonha falar português", salientou o responsável da associação cultural.

A iniciativa, que decorrerá durante todo o dia de sábado, no Convento São João de Deus de Olivença, conta com a participação de vários especialistas em línguas de universidades de Portugal e Espanha e instituições como o Conselho da Europa e o Instituto Camões.

Os representantes destas entidades vão abordar temas como o valor cultural dos dialectos e línguas minoritárias no continente europeu, as características do português que se fala em Olivença e os possíveis meios para reverter a dinâmica de desaparecimento de uma língua que faz parte da identidade cultural de Olivença.

HYT/MLM.

Lusa/Fim


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