Conjunto de esculturas assinala no Jarmelo assassínio de Inês de Castro

Um conjunto escultórico em ferro alusivo ao assassinato de Inês de Castro é inaugurado sábado em Jarmelo/Guarda, antiga vila me dieval em ruínas, terra natal de Pêro Coelho, um dos seus assassinos.

Trata-se de uma iniciativa da Associação Cultural e Desportiva local, r ecreando o quadro de Columbano Bordalo Pinheiro executado no inicio do século XX sobre aquela episódio histórico da "rainha que o foi depois de morta, coroada p or D Pedro I", intitulado " O Assassínio de Inês de Castro".

As peças de arte implantadas junto do edifício brasonado com as armas r eais que serviu de sede municipal e cadeia foram executadas por Rui Miragaia, na tural da freguesia onde tradicionalmente é trabalhado o ferro desde tempos recua dos.

O escultor disse ter aprendido a trabalhar aquele material com o pai, f erreiro em Donfins, anexa de Jarmelo, numa actividade que "começou por brincadei ra" mas que evolui para a criação artística.

O conjunto escultórico, com sete peças figurativas com cerca três metro s de altura, representa o rei D. Afonso IV, Inês de Castro com seus dois filhos e os assassinos Pêro Coelho, Diogo Lopes Pacheco e Álvaro Gonçalves, conselheiro s deste monarca.

Paralelamente foi instalado um painel com fotografia do quadro de Colum bano explicando o assassinato.

Segundo Isidro Almeida, dirigente da associação promotora das escultura s, este evento "tem importância para a história de Jarmelo apesar de, se calhar, para a história, o Jarmelo não ter importância".

O conjunto artístico custou cerca de quatro mil euros, verba que a Asso ciação Cultural e Desportiva está ainda a tentar angariar. A antiga vila medieval de Jarmelo (que significa gémeos dado se implant ar em duas colinas idênticas) tem raízes na pré-história, onde teria existido um Castro, segundo o general João de Almeida e Adriano Vasco Rodrigues, historiado res da região.

Possui muralhas, fontes, sepulturas antropomórficas, restos das antigas cisternas e casas de habitação, a "praça", escórias de ferro que testemunham a actividade da fundição e ferraria que ainda se mantém na região, calçadas romano -medievais, o antigo forno comunitário, a antiga Casa da Câmara e campo da feira que foi "uma das mais antigas instituídas em Portugal".

Nas imediações localiza-se a Quinta do Silva, onde nasceu Pêro Coelho, um dos assassinos de Inês de Castro. Trata-se de uma casa com características me dievais, que ruiu há cerca de uma década, e que foi registada em pintura pelo ta mbém jarmelense António Barreiros.

Diz a tradição que foi no Jarmelo que D.Pedro I conheceu Inês de Castro quando integrava o cortejo de D. Contança, que casou com o monarca, vindo de Es panha.

Uma pedra é tida como o local onde a "aia" Inês subia ao cavalo e, ao l ongo dos tempos, manteve-se a tradição de as noivas pagarem uma tença ao casarem , pelo que se mantém na região da Guarda a quadra "Adeus Vila do Jarmelo/Adeus P edra de Montar/Enquanto o Mundo for Mundo/Dinheiro Hás-de Ganhar".

D. Pedro I mandou "Salgar aos quatro canos e arrasar" a vila do Jarmelo como vingança por esta ter sido a terra de Pêro Coelho. Actualmente ninguém res ide nesta povoação de que restam apenas ruínas.

Os residentes dispersaram-se e fundaram novas localidades, hoje quase d espovoadas, como Almeidinha, Imã, Montes do Jarmelo, Urgueira, Monteiros, Granja , entre outras, referem os historiadores.

A inauguração do conjunto escultórico coincide com o 650º aniversário d o crime, e que a Associação Cultural e Desportiva quis associar às celebrações d o Ano Inesiano, centradas em Coimbra, onde Inês de Castro foi assassinada, na Qu inta das Lágrimas.

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