quinta, 09 setembro 2010 | 12:19

Formula1

por Jorge Alexandre Lopes actualizado às 18:04 - 09 Março '10

Ter mão num F1 com "peso de camião"

publicado 16:38 09 Março '10
Schumi está de regresso ao Grande Circo, agora na MercedesGP Foto: Reuters Pictures

Nesta nova temporada os pilotos deverão tirar mais partido do ajustamento das asas dianteiras a partir do cockpit. A opção estava já disponível no passado ano mas agora, com carros substancialmente mais pesados, este é um sistema que pode ajudar - e muito - o piloto na difícil missão de controlar um "camião".

Será um pouco assim que os pilotos se sentirão no início das corridas, a transportarem nos seus carros mais 100 Kgs que no ano passado. Em particular, a gestão dos compostos durante o princípio da corrida será crítica para a obtenção de um bom resultado.

Este ano, o novo sistema de qualificação que permite ao TOP10 discutir a pole position com pouco combustível nos depósitos creditará o trabalho dos pilotos mais rápidos. É certo que ao ter de sair para a corrida com os mesmos pneus, tal poderá ser o contra-balanço para qualificações de faca-nos-dentes. É possível que a Q3 seja mesmo disputada com os compostos mais duros, pois esses deverão ser os que largam para a corrida, para aguentar os pesadíssimos carros nas primeiras voltas.

Para acompanhar a corrida, teremos agora de observar o ritmo a que os pilotos vão descendo os seus tempos de volta e perceber com que eficácia estarão a cuidar dos seus pneus. Aqueles que conseguirem perder o máximo de peso mantendo a eficácia dos compostos, começarão a ganhar terreno. Será um desafio para os comentadores em tempo real.

As equipas farão sequências de 40 a 45 voltas em corrida, em alguns dos GPs, algo que não era muito comum para a maioria nos últimos 16 anos. E muito menos transportando tanto combustível. Os tempos por volta nas corridas chegarão a ser 3 a 4 segundos mais lentos que nos últimos anos, no início da prova. Os pilotos estarão sujeitos a forças G menores (Schumacher, Trulli e outros veteranos agradecem).

Um carro amigo do pneu será meio caminho andado para um bom campeonato. E, nesse sentido, as indicações que chegaram da Ferrari dão optimismo a Alonso e Massa. É que, depois de tempos rápidos em simulação de qualificação, os pilotos fizeram depois simulação de GPs, começando com tanque cheio e os pneus foram consistentes por várias vezes durante cerca de 40 voltas.

Os homens da Mercedes e McLaren também mostraram consistência q.b. na simulação de GPs em vários testes, mas não conseguiram tirar as marcas da Ferrari quando rodaram em regime de qualificação com tanque baixo.

Uma coisa é certa: os testes decorreram em Espanha com tempo frio, além de chuvoso. Bem mais frio do que estará no Bahrain. Daí que a 6ª feira na pista dos Emirados será muito importante para avaliar a performance dos pneus em longo período. Isto numa pista onde a areia trazida pelo vento do deserto ainda se junta para a lista de imponderáveis.

Muito combustível e a consequência na distribuição de peso

Para acomodar as novas regras, os tanques de combustível tiveram de aumentar consideravelmente para este ano. Perto do dobro, para albergar combustível para toda a corrida. Os tanques deste ano representam quase 6 vezes o de um Fiat Punto.

A distância entre eixos dos carros passou a ser maior. Levando em conta o maior peso mínimo (620 kg este ano contra 605 Kgs o ano passado) e os tanques de combustível cheios, na linha de largada da corrida, os carros vão ser 185 quilos mais pesados este ano, cerca de 30% mais que no ano passado! Tal obrigará a tempos de travagem muito difíceis em pistas como o Bahrain e Montreal, por exemplo.

Os carros de 2010 terão pneus mais estreitos à frente; isto significa que a distribuição de peso terá de se mover um pouco para trás e isso afectará a aerodinâmica, diminuindo-a na zona entre as rodas da frente e o cockpit.

 

(Saiba tudo sobre a nova temporada de Formula1 em www.rtp.pt/f1)

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