terça, 09 fevereiro 2010 | 17:20

Agricultores protestam

por Carlos Santos Neves, RTP actualizado às 21:58 - 02 Julho '09

CAP apela a voto contra Governo “ausente do mundo rural”

publicado 16:41 02 Julho '09
"Vamos mostrar em Setembro e em Outubro que queremos uma mudança", exortou o presidente da CAP, João Machado RTP

A Confederação dos Agricultores de Portugal vê no primeiro-ministro e no ministro da Agricultura um duo que se "ausentou do mundo rural durante quatro anos", pelo que pede um cartão vermelho ao Governo nas legislativas. O presidente da CAP aproveitou uma manifestação de agricultores em Mirandela para reiterar que "em democracia o voto é uma arma".

Centenas de tractores e uma dezena de milhares de agricultores, nas contas da CAP, estiveram esta quinta-feira em Mirandela para renovar o chumbo ao desempenho do ministro Jaime Silva. A iniciativa foi criticada por alguns associados locais da Confederação, que condenaram a oportunidade dos protestos, mas o apelo ao afastamento do ministro da tutela e de José Sócrates voltou a falar mais alto.

"Vamos mostrar em Setembro e em Outubro que queremos uma mudança. Em democracia o voto é uma arma e essa arma está nas nossas mãos", exortou em Mirandela o presidente da CAP. Perante os milhares de agricultores convocados a Trás-os-Montes, João Machado encerrou uma série de intervenções com um apelo: "Vão buscar aqueles que acham que não vale a pena, os que não são agricultores e dizer-lhes que o voto deles é importante".

A CAP, ressalvaria mais tarde o dirigente, não tem "nada contra o Partido Socialista, não tem nada a ver com partidarice, como acusou o ministro da Agricultura". A luta da Confederação dos Agricultores de Portugal "tem a ver com as políticas".

Ministro "tentou virar a população contra os agricultores"

"O que não agrada aos agricultores é a ausência de medidas. O Governo ausentou-se da política agrícola, do mundo rural. Durante quatro anos governou contra os agricultores", afirmou à Antena 1 o presidente da CAP, para quem Jaime Silva "é seguramente o pior ministro da Agricultura desde que o país aderiu à União Europeia".

"É sobretudo o ministro que tentou virar a população portuguesa contra os agricultores e é isso que os agricultores estão aqui a dizer, que não admitem a este ministro da Agricultura que vire os portugueses contra o mundo rural e contra a agricultura portuguesa", insistiu João Machado.

No entender do dirigente da CAP, Jaime Silva fez "tudo o que pôde para prejudicar a agricultura": "Tirou todos os apoios à agricultura nacional, as agro-ambientais, as medidas da electricidade verde, prejudicou os agricultores com impostos mais altos e, em simultâneo, devolveu todas as verbas da União Europeia que pôde e não investiu até agora um cêntimo na modernização da agricultura".

O diálogo com o Executivo de Sócrates, afirmou o presidente da CAP, deixou de ser possível.

Associados da CAP contra "aproveitamento político"

Uma das estruturas que se demarca da manifestação em Mirandela é a Federação dos Agricultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (FATA), que acusa os dirigentes da CAP de enveredarem por "um aproveitamento político encapotado quando se aproximam eleições legislativas e autárquicas".

Em declarações citadas pela agência Lusa, o dirigente da FATA Armando Pacheco sublinhou que, "ao longo de quatro anos, existiram alturas mais apropriadas para a realização de manifestações". Disse ainda que "as pessoas não devem ser usadas como bandeira política quando se está praticamente em campanha eleitoral".

À Antena 1, o presidente da CAP atribuiu as divergências a entidades "provavelmente aliciadas pelo doutor Jaime Silva, que tem vindo a oferecer apoios individuais a algumas associações e a alguns dirigentes associativos".

"Não nos incomoda. Em democracia pode haver sempre uma posição contrária. A grande maioria dos agricultores está connosco", rematou João Machado.

A 12 de Junho, durante um plenário de agricultores em Santarém, a CAP havia lançado um apelo à mobilização para garantir que "Silva e Sócrates" fossem "para a rua". Na altura, o ministro da Agricultura acusou a Confederação de estar a "instrumentalizar" os profissionais do sector.

"O que eu acho lamentável é que haja uma Confederação que entre na politiquice partidária, que entre na campanha eleitoral. Uma coisa é as confederações reivindicarem e todas têm reivindicado e negociado com o Governo. Outra coisa é participarem na campanha partidária", reagia então o ministro Jaime Silva.

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