José Sócrates pede aos bancos mais crédito para as empresas
publicado
13:52
16 Dezembro '08
José Sócrates apelou aos bancos para facilitarem o acesso ao crédito. RTP
Os bancos devem emprestar mais dinheiro às empresas. Este foi apelo feito ontem à noite pelo primeiro-ministro, José Sócrates, no final da reunião de concertação social onde Governo e parceiros sociais discutiram o plano anti-crise como forma de reabilitar a economia portuguesa.
Mais dinheiro para as empresas foi o pedido feito ontem por José Sócrates aos bancos portugueses que devem reforçar as suas políticas de crédito. O primeiro-ministro entende que essa será a forma de reabilitar mais rapidamente a economia em Portugal.
"Julgo que este é o momento adequado para fazer um apelo aos bancos para que reforcem as suas políticas de crédito e para que reforcem, se for caso disso, os seus capitais próprios para que possam servir a economia portuguesa", afirmou José Sócrates à saída da reunião de concertação social.
Na reunião que serviu para Governo e parceiros sociais discutirem o plano anti-crise apresentado no passado sábado, após a reunião de Conselho de Ministros Extraordinário, as partes tiveram oportunidade de aprofundar um pouco mais o plano que pretende fazer sair da crise a economia portuguesa.
As palavras do primeiro-ministro vieram reforçar o apelo feito também ontem pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para que os bancos emprestem mais dinheiro às empresas.
Recorde-se que entre as medidas que integram o plano anti-crise no valor de 2,18 mil milhões de euros, dos quais 1,3 mil milhões de euros são financiados pelo Orçamento de Estado para 2009, está o emprego como José Sócrates a destacar que "é a prioridade das prioridades" para o próximo ano tanto na criação como na manutenção.
José Sócrates reconhece que é um plano “muito ambicioso no domínio do emprego, mas que se espera vir a relançar a economia no próximo ano".
No final da reunião de ontem à noite de concertação social também os parceiros sociais se manifestaram sobre o plano apresentado pelo Governo com as centrais sindicais, CGTP e UGT, a reconhecerem a importância do plano apresentado, embora tenham deixado bem claro algumas medidas que pretendem sejam aplicada.
Carvalho da Silva, da Intersindical, disse que "há muito a fazer" e falou na necessidade de clarificar critérios e prazos de algumas das medidas apresentadas "sob pena de estas não terem qualquer efeito" na economia.
Já João Proença, líder da UGT, alertou igualmente para a necessidade das medidas apresentadas no pacote anti-crise serem objecto de um acompanhamento e lamentou ainda a inexistência de propostas para a melhoria de salários e pensões, esperando que estas possam vir a acontecer no próximo ano.
O patronato também teve oportunidade de avançar com alguma ideias sobre o plano anti-crise tendo a Confederação do Comércio de Portugal (CCP), por intermédio do seu presidente, João Machado, reconhecido o "esforço muito grande do Governo no sentido de reanimar a economia nacional" ao mesmo tempo que destacou duas condições "essenciais" para que a reanimação aconteça: a libertação de crédito para as empresas e o combate ao desemprego.
Importante para o presidente da CCP, é "não perder tempo" e assegurar que até Janeiro ou Fevereiro estas medidas apresentadas produzam efeito, em especial ao nível do sector financeiro.