terça, 09 fevereiro 2010 | 23:42

Economia

por Cristina Sambado, RTP

Miguel Cadilhe diz que nacionalização do BPN é uma questão política

publicado 22:20 03 Novembro '08
“Esta é uma questão eminentemente política, que tem a ver com o sistema democrático”, afirmou o ex-ministro das Finanças, que acrescentou que “é uma solução desproporcionada. Não é a solução que propusemos ao Estado” RTP

Miguel Cadilhe, presidente da Sociedade Lusa de Negócios, que detêm o Banco Português de Negócios, considera que a nacionalização do BPN é uma questão política e desproporcionada e que o Governo tinha outras alternativas. O presidente do BPN recusa continuar à frente da instituição após a passagem para o controlo do Estado.

“Esta é uma questão eminentemente política, que tem a ver com o sistema democrático”, afirmou o ex-ministro das Finanças, que acrescentou que “é uma solução desproporcionada. Não é a solução que propusemos ao Estado”.

“Com a nacionalização do BPN o Governo veio criar ou agravar problemas no seio do Grupo SLN. Não sei se o Governo ponderou devidamente, porque o grupo SLN emprega 6.500 pessoas das quais apenas um terço corresponde ao banco”, referiu o presidente do BPN em conferência de imprensa.

Miguel Cadilhe afirmou que o Grupo SLN “está preocupado com a protecção dos clientes, depositantes, colaboradores e accionistas”. E “neste momento estamos especialmente preocupados com os accionistas, a maioria dos quais nada tem a ver com práticas do passado. Alguns são accionistas muito recentes que em nós confiaram”.

Para o presidente do BPN, “não obstante o longo e grave peso do passado e as dificuldades, entendíamos que era possível regenerar o banco e o Grupo SLN”.

Segundo Miguel Cadilhe, na proposta de lei de nacionalização que o Governo enviou à Assembleia da República “é verdade quando aí se refere o problema de liquidez do banco”, mas acrescenta “não é verdade quando aí se refere que foi a acção inspectiva do Banco de Portugal que detectou imparidades”.

“Aí se omite que foi através das auditorias extraordinárias por nós mandadas fazer que o volume de imparidades foi verdadeiramente determinado”, revelou.

“O montante dessas imparidades que ontem o Sr. ministro das Finanças citou fui eu próprios que o apresentei em reunião que com ele tive”, disse.

“Esta nacionalização vai exigir muito mais capitais públicos do que exigiria a nossa proposta estrutural, aliás de natureza distinta, porque a nossa proposta apostava nas acções preferenciais remuneradas e também no reforço dos capitais privados”.

“O Sr. Ministro das Finanças disse que o Governo viu-se obrigado a nacionalizar o banco. A nosso ver o Governo quis, preferiu, escolheu, não foi obrigado a nacionalizar”, acusou. “Na verdade não vislumbramos as reais motivações de tal acção do Governo”.

“Sabemos que houve falhas de vários lados durante anos e anos. Sabemos que em um desses lados houve grave e demorada falha de supervisão, falha de estado portanto. E nisso não deveria assentar a intervenção radical da nacionalização”.

Quanto à possibilidade da sua continuação à frente do Banco Português de Negócios após a nacionalização, Miguel Cadilhe afirmou que “o seu lugar está à disposição logo que a nacionalização esteja cumprida, imediatamente deixarei estas funções”.

“Estou à frente do banco até que a nacionalização esteja consumada, neste momento a nacionalização está em processo legislativo”, rematou.

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