Galp quer descida de impostos nos combustíveis
publicado
11:08
21 Maio '08
"As estações de serviço são menos rentáveis", disse o presidente da petrolífera RTP
O presidente da Galp defende a descida da carga fiscal sobre os combustíveis para fazer baixar os preços da gasolina e do gasóleo. Ferreira de Oliveira admite que muitas estações de serviço poderão encerrar por causa do aumento dos preços.
A Galp registou uma queda dos lucros de 8,4 por cento no primeiro trimestre do ano face a igual período do ano passado. Contudo, a petrolífera ganhou 109 milhões de euros entre Janeiro e Março deste ano.
O resultado deve-se à “inevitável redução do consumo e a uma consequente perda de receitas por parte dos operadores”, explicou Ferreira de Oliveira.
As receitas do segmento de Refinação e Distribuição, afectado pela desvalorização do dólar e pela subida do preço do crude, caíram 50 por cento, mas o resultado operacional ajustado decuplicou em comparação com o quarto trimestre do ano passado.
A venda de maiores volumes no segmento de Gás e Power e a subida do preço média de venda do crude no segmento de Exploração e Produção compensaram a diminuição de resultados.
Ferreira de Oliveira espera soluções do Governo
“Gostaria que a carga fiscal fosse aliviada e sobretudo gostaria que a carga fiscal das gasolinas se aproximasse da carga fiscal dos gasóleos”, propõe Faria de Oliveira para atenuar as quedas no consumo.
Os impostos representam 59 por cento do preço da gasolina e 47 por cento do preço do gasóleo, disse o presidente-executivo da Galp, que assegurou não ter tomado qualquer iniciativa junto do Governo no sentido da descida dos impostos sobre os cimbustíveis.
O gestor admite a existência de “estações de serviço a mais. A sua redução levará outra vez ao aumento de vendas nas que ficam e, portanto, ao reequilíbrio económico”, comentou.
A racionalização de infra-estruturas será uma medida a estudar, caso os preços continuem a subir, uma vez que “os operadores independentes e os distribuidores de produtos petrolíferos vêm assim os seus volumes de venda serem reduzidos, e isto, suportando a mesma estrutura de custos fixos”.
Galp recusa acusações de especulação
“Temos conseguido conter o crescimento dos preços dos combustíveis”, sublinha Ferreira de Oliveira, para quem os aumentos dos preços em Portugal antes dos impostos são menores do que em Espanha ou na média da União Europeia.
O preço da gasolina sem chumbo 95 cresceu 8 por cento desde o início do ano em Portugal, 11 por cento em Espanha e 10 por cento na média dos países da União Europeia, referiu o presidente-executivo da Galp na conferência de imprensa em que apresentou os resultados da empresa. “A nossa gasolina em Portugal é competitiva em relação a Espanha”, insiste.
"Somos apenas tomadores de preços e praticamos os preços definidos nos mercados internacionais", diz o gestor, que salienta a impossibilidade de um alheamento "da economia em que estamos inseridos e das condições da economia internacional".
Ferreira de Oliveira lamenta a palavra “boicote” que se tem escutado nas últimas semanas. “Abastecemos diariamente 250 a 300 mil pessoas e mais de cinco mil empresas. Perturba-nos que pessoas não preparadas se transformem em especialistas do sector, o que só serve para confundir o mercado”, comenta.
O presidente da Galp acredita no reequilíbrio do mercado nos próximos meses. "Não existe nenhuma razão fundamental para que os preços se mantenham nos actuais níveis", acrescentou.
"Estamos à espera que o mundo se reencontre, que os preços baixem e que os nossos clientes deixem de ser penalizados", conclui o presidente-executivo da Galp.