Num foro sobre a volatilidade dos preços do crude, Wheeler assinalou que o encarecimento da energia aumentou os custos dos fertilizantes e o transporte, e impulsionou a produção de biocombustíveis.
Uma quarta parte das colheitas de milho, que representa 10 por cento da produção global, destinou-se à produção de biocombustíveis em 2007.
"Os maiores preços da energia, a seca e o aumento da procura provocaram um aumento de 75 por cento nos preços dos alimentos básicos desde 2005", afirmou Wheeler, salientando que o preço do arroz atingiu o nível mais alto em 20 anos a semana passada.
"Tal como os mais pobres do planeta são os mais expostos aos efeitos das alterações climáticas, também são muito vulneráveis aos efeitos dos aumentos nos preços dos combustíveis e dos alimentos", afirmou Wheeler no seu discurso.
Recordou que os alimentos e a energia representam geralmente 70 por cento do cabaz de compras dos pobres, o que faz com que as consequências a longo prazo da actual tendência sejam consideráveis.
"Os lares pobres cortarão o consumo de alimentos e (os gastos) em educação, e as crianças serão as primeiras a abandonar as escolas", previu Wheeler.
A isso soma-se um previsível aumento do uso de combustíveis tradicionais o que terá "óbvias consequências para o meio ambiente".
Wheeler fez um apelo a uma globalização mais justa e destacou que esta só será sustentável se gerar oportunidades e vantagens para toda a gente.
Recordou que mais de mil milhões de pessoas vivem com menos de um dólar diário.
"Um mundo em que uma grande percentagem da população vive na pobreza extrema (...) representa um custo inaceitável em sofrimento humano, perdas económicas e tensão política e tem importantes repercussões para a segurança", concluiu.