Preço do pão aumenta cerca de 50 por cento
publicado
14:50
27 Fevereiro '08
Aumento do pão parece ser inevitável RTP
O preço do pão vai ter que aumentar cerca de 50 por cento. O alerta é da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares que justifica o aumento como a única forma para que as empresas de panificação não fechem as portas.
O custo crescente da matéria-prima e a diminuição das vendas são as justificações dadas pelo presidente da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares para o aumento anunciado do preço do pão de cerca de 50 por cento.
Carlos Alberto Santos afirmou que o preço de uma carcaça de 40 gramas, que custa actualmente entre 10 a 12 cêntimos, terá de aumentar para os 15 cêntimos e este aumento, segundo o líder da Associação, servirá apenas "para cumprir as obrigações" das empresas.
Segundo Carlos Alberto Santos desde o final de 2006 e até agora o preço das matérias-primas, nomeadamente as farinhas, aumentou entre 120 a 140 por cento e lembrou ainda que "na panificação 50 por cento dos custos são matéria-prima" e que "o preço dos cereais aumenta de 15 em 15 dias" o que leva a que as empresas “sejam obrigadas a corrigir os preços dos seus produtos para não fecharem as portas".
Outra das justificações para este aumento tem a ver com a diminuição das vendas já que, segundo o presidente da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares, houve nos últimos anos “uma quebra de 30 a 40 por cento na venda do pão o que se justifica com o aumento do custo de vida”.
Na opinião deste dirigente associativo é necessário travar, a nível internacional, a produção de biocombustíveis através dos cereais e neste processo Carlos Alberto Santos considera que o Ministério da Agricultura tem de "pôr mãos à obra" e cultivar de trigo e milho os terrenos que não estão cultivados.
Aumento do pão é mau para a alimentação saudável
Quem considera o aumento do preço do pão uma má notícia são os especialistas em alimentação saudável ao mesmo tempo que os últimos dados do Instituto Nacional de Estatísticas dão conta de que as populações mais pobres são as que mais prejudicadas vão ficar com este anunciado aumento.
Este era um aumento esperado devido ao aumento dos cereais, principalmente o trigo, mas, no entender do nutricionista da Direcção-geral de Saúde, João Breda “esta é uma má notícia para a alimentação saudável”.
João Breda completa ainda a sua ideia referindo que o pão é um “importante alimento para todas as pessoas, em especial as crianças que precisam deste alimento que lhes dá bastante energia” ao mesmo que adianta que nas ”crianças é muito importante um bom pequeno-almoço onde o pão escuro, com fibras, é o mais rico".
Para que não restem dúvidas quanto à importância do pão na alimentação, João Breda não tem dúvidas em afirmar que “não comer pão é não ter uma alimentação saudável”.
Os dados disponíveis pelo Instituto Nacional de Estatísticas dão conta de que o pão, produtos de padaria, bolachas e biscoitos pesavam 2,3 por cento no Índice de Preços ao Consumidor em Dezembro do ano passado, uma ponderação calculada com base em inquéritos aos consumidores reveladores do peso de cada produto nas suas despesas mensais.
O último inquérito do Instituto Nacional de Estatísticas aos orçamentos das famílias, publicado já em 2000, revelou que são os mais carenciados que gastam mais do seu orçamento em bens alimentares, sendo por isso estes que mais sentem um aumento do preço de bens essenciais como o pão.
Segundo esses dados de 2000, os produtos alimentares e bebidas não alcoólicas representavam 31,6 por cento do orçamento de uma família que ganhasse por ano menos de 4.500 euros, enquanto um agregado com 18.000 euros ou mais de rendimento destinava àquele sector apenas 14,8 por cento do seu rendimento.