terça, 09 fevereiro 2010 | 22:36

Economia

por RTP

Anulação do Dakar com impacto em várias áreas

publicado 20:25 04 Janeiro '08
João Lagos é o responsável pela organização da parte portuguesa RTP

A anulação da edição de 2008 do rali Lisboa-Dakar, que partia da capital portuguesa pelo terceiro ano consecutivo, implica perdas financeiras para o Governo, organização, autarquias por onde a prova passava, patrocinadores e equipas.

O investimento de três milhões de euros efectuado este ano pelo Governo português não terá retorno. O contributo do executivo destinava-se a promover a imagem de Portugal com benefícios, directos e indirectos, para a economia nacional.

“O Governo português lamenta profundamente, mas respeita a decisão de anular o Lisboa-Dakar. A segurança está em primeiro lugar”, declarou o ministro da Presidência. Pedro Silva Pereira contou que o Governo “fez diligências” junto do executivo francês, mas que este alegou razões de Estado para o alerta.

Em relação à organização portuguesa, a cargo da Lagos Sport, o ministro da Presidência comentou que “estes dias deram para perceber que tudo estava a decorrer de forma perfeita”. João Lagos ainda não divulgou o total do prejuízo. “A única coisa que sei é que o prejuízo é muito duro. Já estão a ser feitas contas no escritório”, explicou João Lagos.

A organização francesa do rali, a Amaury Sports Organization, comunicou a decisão de anular a prova, pela primeira vez em trinta edições, na sequência do apelo do Governo francês sobre a falta de segurança para os seus cidadãos, aquando da passagem da caravana pela Mauritânia.

Portimão e Benavente pedem retorno do investimento

As autarquias de Portimão e de Benavente reagiram com a intenção de negociar o ressarcimento dos montantes já investidos.

Para receber a segunda etapa da prova a Câmara Municipal de Portimão destinou 1,5 milhões de euros, tendo já investido 90 por cento, e os restantes 10 por cento estão destinados a alojamentos e questões logísticas.

Os “juristas da autarquia estão a estudar as contratualizações que foram feitas para que seja exigida à organização o retorno do investimento que a autarquia fez para receber a prova em Portimão”, disse o presidente do executivo camarário Manuel da Luz.

A Câmara de Lisboa, que iria receber a primeira etapa pelo terceiro ano consecutivo, não divulgou o total do valor investido, nem mostrou qualquer intenção de pedir o reembolso do investimento. Contudo, em Dezembro, a autarquia aprovou a atribuição de um subsídio de 400 mil euros à organização portuguesa do rali.

Já a autarquia de Benavente, por onde iria passar a prova, veio dizer que quer ser ressarcida dos 30 mil euros investidos para montar as Zonas Espectáculo.

“Tudo o que tínhamos negociado com o Dakar estava implantado no terreno, desde os terrenos para os pontos de encontro, animação musical, transportes, WC, tenda gigante, entre outros. É um investimento de cerca de 30.000 euros do qual temos agora que ser ressarcidos, já que não vamos ter contrapartidas”, comentou António José Ganhão.

Também as autarquias de Samora Correia e Alcochete investiram na montagem das Zonas Espectáculo e no transporte, gratuito, de espectadores até elas, não tendo até ao momento revelado se têm ou não a intenção de pedir o reembolso dos investimentos.

A Câmara do Montijo, que estabeleceu um protocolo para permitir melhores condições de acesso aos espectadores, mostrou compreensão pelas razões da anulação da prova e disse que não vai pedir compensações financeiras.

“Sente-se frustração, mas não estamos a pensar pedir nenhuma compensação financeira porque os gastos não foram de grande monta, foram máquinas e pessoas, e porque se trata de razões alheias à vontade das partes. Não se justifica no actual quadro, não existe violação do protocolo e temos de perceber a situação com bom-senso”, explicou Maria Amélia Antunes.

Patrocinadores mostram compreensão

Os prejuízos atingem ainda os patrocinadores portugueses: Santa Casa da Misericórdia, a Siva e a Prosegur.

Sem revelar os valores já investidos, a Santa Casa lamenta o cancelamento da prova. “São razões de segurança que estão em causa”, declarou fonte oficial.

A Siva respeita, mas lamenta “muito o cancelamento da prova porque é muito importante para nós e para os modelos Volkswagen”.

A Prosegur, que iria fornercer 200 vigilantes, cães de guarda, dois carros, equipamentos electrócnicos de segurança e um posto móvel para acompanhar ininterruptamente a prova, refere que vai “resolver tudo da melhor maneira para ambas as partes”.

Equipas também sofrem prejuízos

A equipa Bianchi Prata garante que vai realizar uma acção de quatro dias prevista com patrocinadores em Marrocos.

Pedro Bianchi Prata, representante oficial e piloto principal da equipa, disse compreender os motivos do cancelamento “apesar da grande frustração vivida no seio da equipa, após um ano de preparação e árduo empenho para a participação” na prova.

Hotelaria do Algarve lamenta perda da cobertura dos media

Para o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, o maior prejuízo para a região está relacionada com a perda da cobertura mediática da prova.

“Há prejuízos directos, sobretudo em unidades hoteleiras de Portimão, Alvor e Praia da Rocha, mas a não cobertura da prova pelos media e a consequente falta de visibilidade da região é o nosso principal prejuízo”, afirmou Elidérico Viegas.

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