quarta, 10 fevereiro 2010 | 00:20

País

por Carlos Santos Neves, RTP

Sociedade Portuguesa de Matemática questiona classificações

publicado 20:32 29 Outubro '08
“Não é crível que melhorias tão rápidas possam ser possíveis”, considera Nuno Crato RTP

Os resultados dos exames nacionais dos ensinos básico e secundário “não permitem tirar conclusões sobre a possibilidade de melhoria do ensino”, conclui o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM). Nuno Crato considera que não é possível apartar as “desejáveis melhorias reais” das “melhorias estatísticas”.

De acordo com os dados do Ministério da Educação, 96 por cento dos estabelecimentos de ensino públicos e privados registaram uma média igual ou superior a 9,5 valores na primeira fase do exame nacional de Matemática do 12.º ano. Em 2007, os resultados positivos abrangiam 65 por cento das escolas e em 2006 o valor não ultrapassavam os 17,5 por cento.

No ano lectivo de 2007-2008, 36.674 alunos fizeram o exame de Matemática A do 12.º ano. A média das notas foi de 12,5 valores e a taxa de reprovação caiu 7 por cento, contra os 18 por cento verificados no ano lectivo anterior.

Quanto ao ensino básico, mais de mil escolas atingiram uma média positiva no exame nacional do 9.º ano. Em 2007, apenas 222 escolas tiveram média positiva.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, os resultados apresentados pela tutela “não permitem tirar conclusões sobre a possibilidade melhoria do ensino”.

“Não é crível que melhorias tão rápidas possam ser possíveis”, afirmou Nuno Crato em declarações à Agência Lusa.

Imagem do presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, Nuno Crato

No entender do presidente da SPM, as sucessivas alterações dos critérios de elaboração dos exames, com reflexos no nível de dificuldade e mesmo no tempo de execução, levam a que não seja exequível “distinguir neste momento as possíveis e desejáveis melhorias reais daquilo que são melhorias estatísticas, por haver exames mais fáceis”.

“O Ministério não tem sabido ou não tem querido fazer exames fiáveis, com critérios comparáveis de ano a ano, e enquanto não tivermos esse tipo de instrumentos estamos a navegar no meio de incertezas”, sustentou Nuno Crato.

Associação de Professores de Português desvaloriza quebra

Em contraste com as médias obtidas a Matemática, a disciplina de Português registou uma quebra nos resultados por comparação com o ano lectivo anterior.

Pela primeira vez em três anos, a média do exame de Português do 12.º ano ficou abaixo dos dez valores (9,7 valores). No universo de 60.281 alunos que realizaram a prova, oito por cento tiveram nota negativa, um aumento face aos 5 por cento registados nos dois anos lectivos anteriores.

Seis escolas do ensino básico tiveram média negativa no exame nacional de Língua Portuguesa do 9.º ano. No ano anterior, apenas dois estabelecimentos de ensino tinham registado resultados negativos.

Quanto ao exame nacional de Português B do 12.º ano, 74 por cento das escolas tiveram média positiva, o que representa uma quebra de 16 pontos percentuais face ao ano passado.

A vice-presidente da Associação de Professores de Português (APP), Edviges Antunes Ferreira, salienta que este ano a prova de Português da primeira chamada foi “dificílima”.

“De facto considero que não há correspondência entre a realidade e estes resultados, porque estes são influenciados pela dificuldade ou facilitismo dos exames”, afirmou a responsável, citada pela Agência Lusa.

“Isto não implica necessariamente que os alunos este ano sejam piores do que no ano passado”, prosseguiu Edgevides Ferreira.

“As duas provas do ano passado tiveram um equilíbrio e foram fáceis, coisa que não aconteceu este ano, em que uma primeira prova dificílima baixou a média geral”, reforçou.

A vice-presidente da APP questionou também a classificação de escolas com base nos resultados dos exames nacionais: “É normal que um aluno que esteve sempre no mesmo colégio, muitas vezes desde os três anos de idade, onde é às vezes acompanhado pelos mesmos professores durante anos, tenha melhores resultados do que um aluno que está numa escola pública, onde tem um professor no 10.º ano, outro no 11.º e ainda outro no 12.º e pode calhar numa boa ou numa má turma”.

Ranking de escolas

Os dez estebelecimentos de ensino com a melhor média pertencem ao sector privado. Isto acontece na lista de classificações para todas as escolas e na lista dos estabelecimentos que realizaram pelo menos uma centena de exames.

No topo do ranking geral surge a Academia de Música de Santa Cecília, um estabelecimento privado de Lisboa onde os alunos conseguiram uma média de 16,04 por cento em 55 provas.

Pelo segundo ano consecutivo, a Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, é o estabelecimento público com a melhor média na promeira fase dos exames nacionais (13,73 valores).

A escola de Coimbra aparece em 18.º lugar no ranking que reúne estabelecimentos privados e públicos.

Ciências

Os dados do Ministério da Educação revelam também uma melhoria nos resultados de Física e Química A. Os 31.760 alunos que realizaram os exames alcançaram uma média de 9,3 valores. Nos anos lectivos de 2006-2007 e de 2005-2006, a média fixara-se, respectivamente, nos 7,2 e nos 7,4 valores.

Em Biologia e Geologia, a média subiu para os 10,5 valores, contra os 9,1 valores registados no ano lectivo anterior.

Resultados por distritos

Lisboa volta este ano a atingir a média mais alta na primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário (11,58 valores).

Os piores resultados verificaram-se em Portalegre, onde a média se fixou nos 9,89 valores.

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