"Acho que este é o primeiro a ser criado na Europa entre regiões, o que nós dá especial satisfação, sabendo que a forma de cooperação transfronteiriça entre Portugal e Espanha teve um carácter inovador e tem servido de referência", afirmou Carlos Lage, em declarações à Lusa.
O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte (CCDRN) assinará o convénio que cria este "novíssimo instrumento de cooperação territorial" com o seu homólogo da Junta da Galiza, num acto a que assistirão membros dos governos dos dois países ibéricos.
A nova entidade, que terá um financiamento inicial de 200 mil euros, assumido em partes iguais pelos dois promotores, vai ter como primeiro presidente um português.
"O primeiro presidente será português, mas ainda não está escolhido", salientou Carlos Lage, a quem compete propor o nome, que será escolhido de "comum acordo" com o seu homólogo galego.
Segundo o presidente da CCDRN, "as relações entre as duas regiões são perfeitas", descrevendo-as como "um reencontro entre duas comunidades tão próximas depois de séculos de separação que a História gerou".
"Os galegos começaram a vir conhecer melhor Portugal, os portugueses também viajam muito para a Galiza e esta circulação tem ajudado na criação de um certo espírito de comunidade", afirmou.
Para Carlos Lage, "todos ganharam com o sucesso da cooperação entre o norte de Portugal e a Galiza", considerando que "portugueses e galegos percebem que têm interesse em se unir para ganhar força, o que cria condições para boas relações".
"A tendência será para que o norte de Portugal e a Galiza unam os seus destinos cada vez mais", afirmou Lage, frisando que "tudo o que o norte de Portugal fizer para se virar para o exterior é bom também para o país".
Nessa perspectiva, estabeleceu como objectivo da cooperação entre o norte de Portugal e a Galiza a criação de "uma comunidade pujante, capaz de responder aos desafios da economia do conhecimento, da inovação e da competitividade".
"Esta comunidade que junta as forças dos dois lados para ser mais forte pode reequilibrar um pouco a Península Ibérica, cujas tendências de desenvolvimento passam muito mais pelo centro e pelo leste", defendeu Carlos Lage, numa alusão ao peso de Lisboa, Madrid e Barcelona.