quarta, 10 fevereiro 2010 | 01:06

País

por RTP

Mario Lino admite encerramento da Linha do Tua

publicado 22:00 22 Agosto '08
É o quarto acidente na Linha do Tua em ano e meio Estela Silva, Lusa

O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, admite o encerramento definitivo da Linha do Tua, caso o traçado não apresente condições de segurança. Uma pessoa morreu esta sexta-feira num descarrilamento de uma composição, o que levou o Governo a anunciar o encerramento provisório da linha.

O ministro Mário Lino determinou a abertura de um inquérito preliminar ao acidente e espera ter as primeiras respostas já na terça-feira.

"O relatório final deverá ser entregue um mês depois do preliminar. Para já, desconhecem-se as razões que provocaram o acidente desta manhã", afirmou o governante aos jornalistas durante a conferência de imprensa realizada esta tarde.

Sublinhando que "todos os meses a Linha do Tua é vistoriada a pé" e que "todos os dias passa uma pequena locomotiva que inspecciona a Linha", Mário Lino não descartou a hipótese de a via vir a revelar-se insegura, o que determinaria o seu fim.

"O encerramento definitivo é uma hipótese, se não houver segurança na Linha", afirmou o ministro.

Encerramento provisório

Logo a meio da tarde, a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, anunciava o encerramento provisório da Linha do Tua. A decisão deverá manter-se até que sejam apuradas as causas do descarrilamento da composição do metro de Mirandela.

Ana Paula Vitorino afirmou que aguarda "relatórios muito aprofundados" por parte da CP, da Refer e do Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres.

"Sem condições não pode ser autorizada a reabertura da linha", frisou a governante, citada pela Agência Lusa.

O troço do Metro de Mirandela entre a cidade e a estação do Cachão, com perto de 15 quilómetros, vai permanecer em funcionamento.

A secretária de Estado dos Transportes salientou que a Refer procede a trabalhos de manutenção da Linha do Tua a cada 15 dias. Os resultados da mais recente inspecção, disse, indicavam que a linha reunia condições de utilização.

"Mas o que é facto é que o acidente ocorreu. Por isso vamos ver e analisar seriamente o que se passou", garantiu Ana Paula Vitorino, que acompanhou no local a resposta ao acidente.

Descarrilamento

A Linha do Tua foi durante a manhã palco de mais um descarrilamento. Inicialmente foi aventada a possibilidade de o descarrilamento ter sido provocado por uma explosão no eixo da frente da carruagem, que teria projectado a composição para fora da linha. No entanto, essa explicação já descartada pelos peritos da CP.

Contactado pela RTP, o porta-voz da CP, Carlos Madeira, referiu que viajavam na automotora ligeira meia centena de passageiros e que o descarrilamento aconteceu entre as estações de Brunheda e Tralhão, no sentido do Tua, cerca das 11h00. A composição havia saído de Mirandela às 9h37.

O comboio ligeiro tombou para a encosta, ou seja, para o lado contrário do rio Tua.

Depois de ter tomado nota dos resultados das primeiras investigações realizadas no local, a secretária de Estado dos Transportes assegurou que, por ora, não há quaisquer indícios que apontem para a ocorrência de uma explosão.

Por sua vez, o presidente da CP, Cardoso dos Reis, sublinhou que a composição acidentada foi esta semana objecto de uma vistoria, pelo que não há indicações de que o acidente tenha sido provocado por anomalias mecânicas.

Vítimas

O acidente provocou a morte a uma mulher de 47 anos e deixou feridas outras 37 pessoas. A maioria já teve alta, mas ainda há duas pessoas em estado grave.

Para o Hospital de Vila Real foram levadas outras 13 pessoas com ferimentos, tendo os restantes oito feridos - nenhum deles grave - recebido assistência nas unidades de Bragança e de Mirandela do Centro Hospitalar do Nordeste.

De acordo com o director clínico do Centro Hospitalar, Manuel Sampaio da Veiga, para Bragança foram transportados quatro feridos, tendo já recebido alta, e outros quatro conduzidos para Mirandela, onde apenas permanecem dois deles, uma mulher que está em observação mas sem inspirar cuidados especiais e uma criança que teve de receber cuidados no bloco operatório.

Manuel Sampaio da Veiga sublinhou que entre as pessoas recebidas no Centro Hospitalar do Nordeste a nota de maior registo é o estado psicológico em que se encontram após o trauma do acidente.

Uma morte confirmada

Depois de indicações que davam como certas duas mortes no descarrilamento da composição, ao início da tarde as notícias foram desmentidas quer pela CP quer pelo Hospital de Vila Real, apenas se confirmando a morte de uma passageira.

"Felizmente, não se confirma qualquer morte neste hospital", afirmou o administrador da unidade de saúde, Carlos Vaz.

Segundo o Governador Civil de Bragança - que inicialmente avançou com a notícia de duas mortes - a passageira de 47 anos que viria a falecer ficou presa debaixo da carruagem tombada.

Para o local, a cerca de um quilómetro da estação de Brunheda, próximo de Carrazeda de Ansiães, deslocaram-se nove corporações de bombeiros dos distritos de Bragança e Vila Real e dois helicópteros, um da Protecção Civil e outro do INEM.

Integraram ainda o dispositivo de socorro 49 homens e 19 viaturas, equipas da Brigada Florestal e GNR, duas Viaturas Médicas de Emergência (VMER) e cinco de Suporte Básico de Vida (SIV). Uma psicóloga seguiu igualmente para o local.

Este é já o quarto acidente no último ano e meio.

Governo acompanha acidente

Em Lisboa, o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, esteve igualmente a seguir a situação, mantendo um contacto permanente com o Governo Civil, o presidente da Câmara de Mirandela e as administrações da CP e da Refer.

Para o local foi chamado o Núcleo de Investigação Criminal da GNR para investigar as circunstâncias do acidente.

De acordo com o governador civil de Bragança, Jorge Gomes, o acidente não provocou danos nos carris, apesar de ter originado a destruição das traves de madeira entre eles.

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