terça, 09 fevereiro 2010 | 22:55

Expo-98/10 anos

por © 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Marcas de uma exposição que levantou a moral dos portugueses

publicado 09:13 08 Maio '08

** Sandra Moutinho, da agência Lusa **

Lisboa, 08 Mai (Lusa) - Da Expo-98, apenas os pavilhões temáticos sobrevivem para contar a história da Exposição de Lisboa, um deles transformado em casino e o de Portugal com o futuro por definir. O resto são prédios e ruas de uma cidade chamada Parque das Nações.

Visitada por mais de 10 milhões de pessoas, entre os dias 22 de Maio e 30 de Setembro de 1998, a Expo-98 tinha cinco pavilhões temáticos: Pavilhão de Portugal, da Utopia, do Futuro, do Conhecimento dos Mares e o Oceanário.

Destes, apenas o ex-libris da exposição - o Pavilhão de Portugal, polémico desde o início graças à sua pala, desenhada pelo premiado arquitecto Siza Vieira - ainda não tem futuro definido.

Isto porque, depois da exposição, o Governo manifestou a intenção de adquirir este pavilhão, que custa 24 milhões de euros, mas voltou atrás. Actualmente, a Parque Expo aguarda que a Câmara Municipal de Lisboa cumpra o propósito de comprar esta obra e dar-lhe uma utilização.

O Pavilhão do Futuro, que durante a exposição foi subordinado ao tema "O Futuro dos Oceanos", é hoje o Casino de Lisboa, enquanto o Pavilhão do Conhecimento dos Mares, que recebeu 2.543.914 visitantes durante a Expo-98, é hoje um espaço de divulgação da ciência, tendo a designação de Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.

O Pavilhão da Utopia é hoje a maior sala de espectáculos do país e tem acolhido os maiores eventos musicais. Com uma capacidade para 12.500 pessoas, é hoje o Pavilhão Atlântico e apresenta uma agenda recheada durante todo o ano.

Talvez o mais emblemático dos pavilhões, o Oceanário continua a receber milhares de visitantes por ano. Tal como durante a Expo-98, este aquário gigante apresenta exposições e mostra a vida marinha. Amália e Eusébio, as duas lontras que foram a principal atracção deste tanque, continuam a constituir família.

O Teatro Camões, propriedade do Ministério da Cultura, permanece como sala de espectáculos.

Em obras e por isso encerrada ao público encontra-se a Torre Vasco da Gama, que após ter acolhido o pavilhão da Comissão Europeia durante a Expo-98 e ter tido um restaurante, será um hotel de luxo. O teleférico também ainda funciona.

Na antiga Porta do Oriente da Exposição, funciona hoje o Centro Comercial Vasco da Gama, mesmo junto à Gare Intermodal de Lisboa (GIL), a famosa obra do arquitecto Santiago Calatrava.

Sem o brilho que teve durante a exposição encontra-se o Edifício Nau, junto à marina e que durante a Expo-98 acolheu restaurantes famosos como o Peter´s (que serve um afamado gin tónico) ou o Nobre.

Hoje, em virtude da degradação da marina, que irá sofrer obras de reabilitação em breve, este edifício está vazio.

Igualmente vazio, e pelos mesmos motivos, está a zona da exibição náutica que recebeu centenas de embarcações de várias partes do mundo. Entre estas, esteve permanentemente a Fragata D. Fernando e Glória, visitada por mais de 1,3 milhões de pessoas nestes meses de 1998.

Outros símbolos da exposição permanecem no recinto, como os famosos vulcões de água que foram cenário de milhões de fotografias durante o tempo da Expo-98 e que fizeram as delícias dos visitantes mais encalorados, protagonizando ainda algumas quedas.

Entre as memórias da Expo consta um memorial aos trabalhadores que perderam a vida na construção da exposição.

A Expo-98 foi visitada por 9.637.451 pessoas, entre 22 de Maio e 30 de Setembro de 1998. Só no último dia da exposição, visitaram o recinto 200 mil pessoas.

Foram estes 200 mil que, no último espectáculo nocturno (Acqua Matrix) da exposição, que marcou o seu encerramento, cantaram a plenos pulmões um hino nacional emocionado. A palavra "Portugal" foi gritada com orgulho e em uníssono. O feito só voltou a acontecer seis anos depois, durante o Europeu de Futebol (Euro 2004).

O evento foi inicialmente alvo de críticas e algum cepticismo. As alegadas derrapagens nas contas da Expo motivaram protestos da oposição. Dos portugueses, a exposição mereceu algumas queixas, como por exemplo contra a proibição de levar lancheiras para o recinto.

Os altos preços que o sector da restauração praticou também não foi bem visto pelos visitantes que elogiaram, contudo, a boa manutenção do recinto e de instalações como as sanitárias, o que até então era raro em Portugal.

Esta zona oriental da capital foi uma verdadeira passadeira vermelha de ilustres, reis e rainhas e outros notáveis.

Só no dia da inauguração (21 de Maio de 1998), passaram pela Expo-98 mais de 3 mil convidados, entre os quais o príncipe Aga Khan, os presidentes do Brasil, Alemanha, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau, os primeiros-ministros da Namíbia, Costa do Marfim e Angola, o príncipe herdeiro de Marrocos e o presidente da Comissão Europeia. Também o rei Juan Carlos e a Rainha Sofia marcaram presença.

A partir desse dia, o recinto acolheu dezenas de visitas de representantes do Governo português. António Costa, que era ministro dos Assuntos Parlamentares e tinha a tutela da Expo-98, foi o campeão das presenças, contabilizando 38.

Jorge Sampaio, como Presidente da República, e António Guterres, como Primeiro-Ministro, estiveram lá 20 vezes.

Mariano Gago (ministro da Ciência) visitou oficialmente 14 vezes a Expo-98, Manuel Maria Carrilho (ministro da Cultura) 12, João Cravinho (ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território) nove vezes, Vera Jardim (ministro da Justiça) oito vezes e José Sócrates (ministro adjunto do Primeiro-Ministro) sete.

A exposição teve como objectivo celebrar o quinto centenário da chegada de Vasco da Gama à Índia. Coube a Jorge Sampaio, enquanto Presidente da República, dar as boas-vindas aos visitantes.

Às 18:18 de 21 de Maio, o então chefe de Estado declarava "com muita honra e alegria" aberta a Exposição Internacional de Lisboa de 1998.

Lusa/Fim


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