Em entrevista à Agência Lusa, o presidente da Parque Expo, Rolando Borges Martins, anunciou que 2008 será o ano em que avançará a criação da entidade de gestão urbana que visa ser tripartida.
"As câmaras [de Lisboa e Loures] estão neste momento - e agora em simultâneo - em condições de avançar" para a gestão tripartida, disse.
Isto depois de avanços e recuos que começaram ainda em 1998, ano da Exposição Internacional de Lisboa, quando a Parque Expo manifestou a intenção de, após o evento, dividir com estas autarquias para a gestão tripartida.
Contudo, lembrou Rolando Borges Martins, depois da Expo-98, a Câmara Municipal de Lisboa voltou atrás. Nessa altura, esta autarquia preferiu "a integração da sua zona no município de Lisboa e nos seus serviços urbanísticos".
Por seu lado, "a Câmara de Loures parou e ficou à espera de saber se aquilo ia avançar. Nunca avançou", acrescentou.
A actual CML voltou à ideia da gestão tripartida, que "é o modelo mais sólido para permitir uma melhor gestão urbana e melhor qualidade do espaço".
O modelo de gestão tripartida, que foi aprovado pelas duas assembleias municipais, pressupõe uma equipa com um elemento de cada autarquia e da empresa, sendo a presidência rotativa.
Rolando Borges Martins recusa a ideia de que a gestão tripartida esteja dependente do pagamento das dívidas que estes municípios têm à Parque Expo.
Loures deve à Parque Expo cerca de 48 milhões de euros, relativos à gestão urbana e às infra-estruturas. Lisboa já pagou cem milhões de euros, referentes a infra-estruturas, tendo ainda por liquidar os juros associados a este montante e à gestão urbana dos últimos dez anos, que ronda os 40 milhões de euros.
Para Rolando Borges Martins, o pagamento destes montantes demonstra "sinais de aproximação".
Ainda em relação aos dinheiros da Parque Expo, o presidente da empresa que gere o Parque das nações lembrou que há três anos, quando foi eleito o actual conselho de administração, a empresa tinha por liquidar 490 milhões de euros.
Actualmente, a Parque Expo tem por pagar 293 milhões de euros.
Estas dívidas fazem parte do montante total de 1,2 mil milhões de euros que a Parque Expo solicitou à banca para o financiamento da exposição e das infra-estruturas que permitiram a construção nos 330 hectares que compõem o Parque das Nações.
Este financiamento permitiu a expropriação e libertação dos terrenos, a sua despoluição e a infraestruturação global do território, além da exposição.
Da globalidade do empréstimo, a Parque Expo tem estado a pagar as suas dívidas através da alienação dos terrenos infra-estruturados. Esta receita permite ainda o funcionamento e gestão urbana do espaço.
Dez anos depois da inauguração da Expo-98, Rolando Borges Martins não tem dúvidas que o projecto "valeu a pena" e "em várias frentes e dimensões".
Valeu a pena porque "foi um projecto agregador a nível nacional, em que os portugueses se reviram e viram a sua capacidade de realização".
Na sua dimensão global, foi um projecto em que, durante um período de tempo, mobilizou um conjunto de disciplinas (das criativas às engenharias, das científicas às culturais) em torno do tema dos Oceanos.
Para Rolando Borges Martins, valeu ainda a pena "pela capacidade que teve de ser o motivo da transformação urbana desta zona oriental da cidade que hoje é o mais visível no território".
Graças a este projecto, "Portugal ganhou uma visibilidade associada a uma imagem nova de país diferente".
"Foi a primeira vez que Portugal apareceu como um país moderno, empreendedor e com uma visão aberta e mais clara de si próprio", concluiu.