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Miguel Relvas "chocado" com acusações de Santos Silva a manifestantes

publicado 12:05 08 Março '08

Lisboa, 08 Mar (Lusa) - O deputado social-democrata Miguel Relvas manifestou-se hoje "chocado" com as declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, que acusou professores manifestantes em Chaves de "não reconhecer a diferença entre Salazar e os democratas".

"Há já algum tempo que o ministro passou a fronteira do bom-senso e com total impunidade", sustentou o social-democrata, afirmando que o responsável pela pasta dos Assuntos Parlamentares tem evidenciado um "comportamento de guerrilha e hostilidade".

"O senhor ministro tem que perceber que a barricada da liberdade, desta vez, não está do lado do PS, mas do lado dos professores e não tem que ficar indignado que estes se manifestem e reclamem os seus direitos", afirmou, em declarações à agência Lusa.

O antigo secretário-geral do PSD considera que estas declarações demonstram que o "governo está inquieto, nervoso e acossado" e que o primeiro-ministro "tem que perceber que, ou muda de política, ou a situação vai piorar".

Por outro lado, Miguel Relvas considerou "chocante" que o ministro esqueça "Sá Carneiro e muitos outros portugueses que lutaram e construíram a democracia". "O que falta ao senhor ministro é bom-senso", referiu, acrescentando que Santos Silva está "de cabeça perdida".

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva acusou, sexta-feira à noite, em Chaves, à entrada para uma reunião sobre os três anos de Governo, os manifestantes de estarem a levar a cabo uma intimidação anti-democrática e atribuíu o combate pela liberdade apenas a "históricos" do PS.

"A liberdade é algo que o País deve a Mário Soares, a Salgado Zenha, a Manuel Alegre. Não deve a Álvaro Cunhal nem a Mário Nogueira", afirmou Santos Silva, acrescentando que estes "lutaram por ela antes do 25 de Abril contra o fascismo, e lutaram por ela depois do 25 de Abril contra a tentativa de tentar criar em Portugal uma ditadura comunista", sustentou.

"O clima político que algumas pessoas estão a tentar desenvolver em Portugal é um clima de intimidação, é um clima próprio da natureza anti-democrática dessas forças. E se for preciso defender outra vez, como defendemos em 75, a liberdade em Portugal, o Partido Socialista, posso garantir, estará na linha da frente da defesa das liberdades públicas", afirmou, na ocasião.

O ministro acusou os manifestantes de "nem sequer saberem distinguir entre Salazar e os democratas" e de nem terem "lutado contra o fascismo".

TD.


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