21 mulheres morreram em 2007 vítimas de violência doméstica
publicado
15:41
20 Fevereiro '08
Violência doméstica ainda é uma realidade em Portugal RTP
No ano passado, 21 mulheres foram assassinadas pelos companheiros e com elas morreram três filhos (dois com 11 anos e uma com 21). 57 foram vítimas de tentativa de homicídio. Os números são divulgados pelo Observatório das Mulheres Assassinadas da Associação União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).
Para Maria José Magalhães, do Observatório das Mulheres Assassinadas, este número peca por defeito. “São números que exigem uma atenção permanente da sociedade. No entanto, esses números são inferiores à realidade”, disse. O estudo do observatório baseia-se apenas nas notícias dos jornais porque em Portugal não há estatísticas oficiais que estudem o homicídio relacionado com a violência conjugal.
“A agressão é de tal forma forte que passa a ser uma forma de terrorismo dentro de casa", disse Maria Magalhães. "A maior parte destas situações de violência doméstica podem com o tempo e com o agravamento da situação levar a casos extremos e nestes casos extremos é preciso que as instituições e as autoridades aprendam a avaliar o risco que corre a mulher”.
Além destas 21 mulheres há as vítimas indirectas, os três filhos que foram assassinados juntamente com as mães, e seis familiares que se interpuseram entre a vítima e o agressor. Para evitar mais casos como esses, Maria José Magalhães deixa um alerta: “É preciso que as pessoas da própria família e os vizinhos compreendam que é necessário chamar as autoridades e as instituições que têm um papel importante porque sozinhos, às vezes, correm o risco de vida juntamente com as vítimas”.
O agressor tem, em média, entre os 36 e os 50 anos e é quase sempre o marido ou o companheiro. No entanto, o perfil completo do agressor ainda não foi feito. “O agressor pertence a todas as classes sociais, desde as classes mais elevadas às mais baixas. Têm habilitações literárias das mais diversas”, afirma Maria José Magalhães.