O PS tinha entregue na quinta-feira um voto de protesto pelo mesmo motivo, mas decidiu retirá-lo e votou hoje ao lado do PSD e do CDS-PP contra o voto de repúdio apresentado pelo BE, que assim acabou chumbado.
O voto de protesto do PS tinha como primeiro subscritor o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, era assinado por outros deputados como Helena Terra, Maria Antónia Almeida Santos ou Marisa Costa e qualificava de "manifestamente apropriadas e infelizes" as declarações do embaixador dos EUA.
Dada a ausência desse documento no boletim de votações, o líder parlamentar do BE, Luís Fazenda, perguntou o que lhe acontecera. "Foi retirado pelo PS", respondeu o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.
O BE disse desconfiar que "alguém mandou calar a bancada do PS". Segundo a deputada Ana Drago, "a dúvida é se foi o Governo português ou o embaixador dos EUA".
O deputado do PS Renato Leal manteve a opinião de que as declarações do embaixador foram "manifestamente inapropriadas e infelizes", mas argumentou que acima delas está a amizade entre Portugal e os EUA, que "não deve ser beliscada".
Em causa estão declarações à comunicação social de Alfred Hoffman defendendo que "Portugal tem de reduzir a burocracia e actualizar as leis laborais" ou sobre a redução da presença militar portuguesa no Afeganistão.
"Os líderes europeus parecem mais intimidados com as sondagens do que determinados em convencer as suas opiniões púbicas da importância da luta no Afeganistão", comentou o embaixador norte-americano.
PS, PSD e CDS-PP justificaram o chumbo do voto de repúdio do BE numa declaração de voto conjunta, em que consideram que as declarações de Hoffman "sobre a política do Estado português em fim de carreira e no momento da saída do posto diplomático não podem, em circunstância alguma, pôr em causa as relações de amizade entre Portugal e os EUA".
No voto do BE lê-se que as "frequentes declarações" do embaixador norte-americano, em que "opina sobre as escolhas políticas do Estado português", representam "uma pouco comum desconsideração pelas regras da diplomacia internacional".
O deputado do PCP Jorge Machado concordou que são "uma ingerência ilegítima e inaceitável" que "merecia a condenação do PS e do Governo". Os EUA "julgam ser donos do mundo" e "nada têm a ver com a nossa política interna", acrescentou.
"No mínimo têm de ser consideradas graves e provocadoras. O Governo deveria ter-lhes dado resposta", sustentou a deputada do PEV Heloísa Apolónia.
Em nome do PSD, o deputado Henrique de Freitas contrapôs que as declarações de Alfred Hoffman "devem ser vistas com alguma simpatia condescendente, com alguma ironia diplomática".
"Não devem ser valorizadas", advogou, acusando o BE de "anti-americanismo primário" e salientando o que disse ser um "excelente relacionamento entre o presidente Bush e o primeiro-ministro Sócrates".
Os deputados do PS Ana Catarina Mendes, Vasco Franco, Vítor Ramalho e Teresa Alegre Portugal e o deputado do CDS-PP Nuno Melo anunciaram a entrega de outras declarações de voto.
IEL.
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