Em conferência de imprensa, o presidente da concelhia do PS, Ricardo Caneco, divulgou uma moção em que considera que José Joaquim Pires "só se representa a ele próprio, a presidência da Câmara e o PSD", pelo que os socialistas se recusam a "pactuar com a promiscuidade política deste executivo".
Para o PS, "a vereação não deve ser só encarada como um cargo sazonal ou monetário", numa referência ao facto de José Joaquim Pires ter assumido, a meio-tempo, os pelouros do comércio, equipamento urbano, trânsito e mobiliário.
Com esta tomada de posição, o presidente da Câmara, Jorge Barroso, passa a ter maioria absoluta no Executivo, alicerçada num eleito pelo PS, José Joaquim Pires, e num outro do grupo de independentes, António Salvador.
A crise no Executivo arrasta-se há vários meses depois do vereador Reinaldo Silva (PSD) ter-se assumido como independente, fragilizando ainda mais a maioria relativa dos sociais-democratas.
Hoje, na conferência de imprensa, o presidente da distrital de Leiria do PS, João Paulo Pedrosa, desafiou Jorge Barroso a demitir-se e a pedir desculpa à população por estar a governar com uma lista que não foi a que ganhou as eleições.
Ao assumir uma posição "eticamente condenável", convidando "pessoas e não os partidos" para assumirem responsabilidades, o presidente da Câmara "enganou os eleitores" e está numa "situação muito fragilizada" que é agravada pela "ruptura financeira" da autarquia, acusou João Paulo Pedrosa.
Confrontado com estas críticas, Jorge Barroso considerou que quem "deve pedir desculpa é quem ainda não percebeu que há desenvolvimento além do clubismo político-partidário".
"Os vereadores devem assumir as suas responsabilidades" para o desenvolvimento do concelho, deixando as "questiúnculas partidárias", afirmou o autarca, que desafia a oposição a tentar "fazer cair a Câmara e propor novas eleições".
O presidente da distrital apelou também a Jorge Barroso a não ter uma "postura persecutória" sobre os críticos, numa referência ao facto do líder da concelhia do PS ser avençado da câmara social-democrata.
Em resposta a estas acusações, Jorge Barroso afirmou-se "perplexo" e pediu que "não confundissem situações".
Por seu turno, o vereador José Joaquim Pires minimizou a retirada de confiança política.
"Eu fui numa lista convidado pelo senhor João Benavente (candidato socialista nas últimas eleições) e não por esses senhores que agora compõem o PS" que "como não são competentes, têm que arranjar um bode expiatório", disse.