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Menezes dá 48 horas a Mendes para apresentar programa de candidatura

publicado 10:59 27 Setembro '07
Luís Filipe Menezes desafia Marques Mendes Lusa

O candidato à liderança do PSD lançou quarta-feira à noite um repto ao líder-candidato Marques Mendes para que no prazo de 48 horas apresente o programa de candidatura ao lado de Dias Loureiro.

"O ainda líder do partido [Marques Mendes] tem 48 horas para apresentar finalmente o programa de candidatura ao lado de Dias Loureiro", declarou Luís Filipe Menezes, num jantar com cerca de mil militantes do PSD que decorreu em Quarteira, até cerca da meia-noite.

"Mas alguém já viu o nosso companheiro Dias Loureiro ao lado do Doutor Marques Mendes nesta campanha? Alguém já o viu vir apresentar o programa de candidatura? Tem 48 horas doutor Marques Mendes", desafiou Menezes, na penúltima noite antes das eleições directas, sexta-feira.

Num discurso que durou quase uma hora, Luís Filipe Menzes teve tempo para anunciar que quando for líder do PSD quer renovar as listas dos euro-deputados, quer propor ao Presidente da República a alteração do calendário político das próximas eleições autárquicas e legislativas e ainda conseguiu dar dicas e instruções a Marques Mendes para fazer uma oposição mais forte ao Governo de Sócrates.

"As eleições autárquicas são muito importantes, porque são em cima das legislativas e das europeias", argumentou Menezes, afirmando que se vai debater por eleições autárquicas em primeiro lugar e só depois as legislativas.

Na recta final da campanha para as eleições directas, Menezes revelou um tom de voz calmo e optou por um discurso mais expositivo das medidas que quer pôr em prática em áreas como a Saúde ou o Ambiente.

Luís Filipe Menezes apontou, no entanto, vários erros aos dois anos e meio de liderança de Marques Mendes afirmou que já devia ter apresentado uma moção de censura ao Governo, tal como em tempos os socialistas o fizeram ao Governo de Durão Barroso, mal o presidente norte-americano Bush colocou os pés na Base das Lages, nos Açores.

"É com desgosto que vejo perdermos sistematicamente os debates parlamentares", lamentou Menezes, tentando "ensinar" Mendes que uma oposição activa ao Governo se faz com moções de censura e apoio aos portugueses que vêm para a rua manifestar-se como aconteceu no caso dos funcionários públicos, professores ou farmacêuticos.

"É desta maneira que se trilha um caminho de sucesso e vitórias", disse.

Numa clara crítica à direcção do partido social-democrata em "querer inventar votos à última hora", Luís Filipe Menezes disse ter descoberto que numa pequena reserva na Amazónia, chamada Maringa, existem 200 militantes do PSD.

"Fiquei feliz e satisfeito. Será uma visita que irei lá fazer para prestigiar esse elenco de militantes da América do Sul", ironizou Menezes, arrancando uma salva de palmas dos militantes, ao som da música da trilogia da Guerra das Estrelas.

"Eu preferia ver era centenas e milhares de algarvios, transmontanos, beirões, alentejanos e ribatejanos a votar", disse Menezes, adiantando que não tem "particular gosto" em ver que de um dia para o outro "tenham aparecido em aldeias da Amazónia dezenas e centenas de sociais-democratas que aparentemente preferem o doutor Marques Mendes para líder do partido".

"Não é para desconfiar, estão lá tão longe que não conhecem bem a realidade portuguesa", observou, sem no entanto se esquecer de elogiar os 1.200 emigrantes espalhados pelo mundo que estão inscritos para votar nas eleições directas.

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