No entanto, a ministra da Educação, que foi hoje vaiada em Vila do Conde por mil alunos que contestavam as aulas de substituição, garantiu que vai exigir a sua melhoria qualitativa.
Na avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues, o insucesso no Secundário, da ordem dos 50 por cento, implica realização de aulas de substituição.
"Mas essas aulas têm de ser qualidade, permitindo aos alunos tirar todo o partido delas e assim melhorarem os seus resultados escolares", advertiu, prometendo "fazer um trabalho" de afinação desses tempos lectivos com os conselhos executivos das escolas.
Maria de Lurdes Rodrigues admitiu, do contacto com diversos alunos, que em alguns casos, as aulas de substituição seriam encaradas como "meros espaços para jogos ou entretenimento".
Esta tónica foi também salientada pelos cerca de mil alunos que organizaram o protesto de hoje à chegada da ministra a Vila do Conde, onde foi ratificar as cartas educativas de quatro dezenas de municípios.
Maria de Lurdes Rodrigues recebeu, no final, um delegação dos alunos em protesto.
Cátia de Sousa, aluna da Escola Secundária José Régio, queixou-se à Lusa que as aulas de substituição "não têm qualquer utilidade prática, limitando-se a pôr os alunos fechados 90 minutos dentro de uma sala".
Também em declarações à Lusa, Daniel Seabra, da Escola Secundária Afonso Sanches, considerou que as aulas de substituição "não são a melhor maneira para estimular o aluno para a vida escolar".
O que é preciso, na sua perspectiva, é "incentivar a assiduidade, pontualidade, criatividade e forma de estudar".
O aluno queixou-se igualmente da alegada "discriminação" de candidatos ao ensino superior, cujas matérias não estão abrangidos pela última reforma curricular, uma questão que a ministra disse estar em vias de solução.
Maria de Lurdes Rodrigues explicou que no próximo ano lectivo haverá um exame único de acesso ao ensino superior em cada uma das disciplinas, independentemente das reformas curriculares que os abranjam, um total de três.
A ministra garantiu que nenhum aluno ficará prejudicado "porque os exames incidirão apenas sobre tudo aquilo que é comum nos vários programas, nas várias reformas em curso".
"Todos alunos ficam assim com igualdade de oportunidades", assegurou.
O despacho sobre os exames únicos já foi enviado para publicação no Diário da República.
Nas suas declarações, Maria de Lurdes Rodrigues desvalorizou os protestos que ultimamente marcam as suas visitas a diversos pontos do país, considerando "normal" que as pessoas se manifestem.
"Vivemos num país democrático e é normal que as pessoas manifestem a sua insatisfação", afirmou, declarando- se disponível para conhecer os motivos da insatisfação e se eles "correspondem a problemas reais e concretos" para, nesse caso, "procurar a solução".