Em Lisboa, o cantautor deverá apresentar o duplo álbum "Paco Ibãñez canta a los poetas andaluces", editado em 2008 e no qual compôs para poesia de Luis de Góngora, Federico García Lorca, Rafael Alberti e Luis Cernuda, entre outros.
Paco Ibáñez conta meio século de vida dedicado à música, quase sempre acompannhado à guitarra, depois de ter aprendido a tocar violino.
O duplo ao vivo no Olympia, de 1969, "A flor de tiempo" (1978) e "Por una canción" (1990) são três dos muitos registos da sua discografia, alguns deles gravados fora de Espanha, onde viveu grande parte da sua vida.
Dele, o escritor José Saramago elogia a voz "que não tem nada de ontem nem de hoje, com uma capacidade expressiva rara".
Num depoimento colocado no site oficial de Paco Ibáñez, o escritor português diz que o autor espanhol "canta para chegar ao coração e à sensibilidade de quem o escuta" e que interpreta os clássicos com uma "entrega admirável".
Paco Ibáñez nasceu em Valência, passou a infância em Barcelona, mas por causa da guerra civil espanhola exilou-se com a família em França. É aí que o músico descobre a música de Georges Brassens, Léo Ferre e Atahualpa Yupanqui, considerados referências na sua formação artística e ideológica.
Privou com vários intelectuais e artistas espanhóis exilados em Paris, num grupo denominado El Carraca, conheceu Pablo Neruda e Salvador Dalí, que lhe desenhou a capa de um álbum.
Durante vários anos, durante a ditadura franquista, viu a sua música censurada em Espanha e em 1973 foi mesmo proibido de actuar no seu país.
Apesar de viver em Paris, Paco Ibáñez recusou em 1983 e em 1987 a medalha das Artes e das Letras atribuída pelo então ministro da Cultura de França, Jacques Lang, alegando que um artista que defende a liberdade de ideias não pode fazer concessões. Regressou em definitivo ao seu país nos anos 90.
Paco Ibáñez, considerado uma referência na música castelhana, na interpretação de textos desde o século XIII até à actualidade, estará em Lisboa acompanhado pelo guitarrrista Mario Mas.
SS.