Lisboa, 03 Dez (Lusa) - O Centro de Arte Africana Contemporânea África.cont, considerado um projecto de prioridade nacional pelo Governo, deverá abrir em 2012, em Lisboa, como um espaço multidisciplinar onde serão apresentadas várias formas de expressão cultural africana.
De acordo com José António Fernandes Dias, especialista em arte africana contemporânea convidado a criar o África.cont, o projecto deverá ser apresentado terça-feira, dia 09 de Dezembro, num jantar organizado pelo Governo, no Pavilhão de Portugal do Parque das Nações.
O primeiro-ministro, José Sócrates, "definiu este projecto como prioridade nacional por estar ligado a uma vontade política de deslocar as relações de diplomacia a outros países africanos que não apenas os PALOP" (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), explicou o responsável à Agência Lusa.
Nesse jantar estará não só o primeiro-ministro, mas também os ministros que tutelam as pastas envolvidas, nomeadamente os Negócios Estrangeiros, Cultura e Economia, além do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, embaixadores africanos e empresários, tendo ainda sido convidado o ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan.
Ainda segundo Fernandes Dias, professor da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e consultor da Fundação Calouste Gulbenkian, "este centro será um dos instrumentos do alargamento das relações de Portugal com os países africanos".
A apresentação deste projecto estratégico para o Governo surge um ano depois da cimeira UE-África, quando, na altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, manifestou a António Costa a intenção de criar um espaço com arte africana contemporânea na capital.
"O presidente da câmara falou-me na hipótese de criar um museu, mas eu pensei que seria demasiado dispendioso e complicado conceber uma entidade pesada e sem acervo, e propus a criação do centro de artes africanas abrangendo sobretudo as artes visuais", recordou.
A CML vai disponibilizar "um espaço magnífico" que começa no Palacete Pombal e continua por mais três edifícios do século XVIII, prolongando-se na encosta entre a Rua das Janelas Verdes e a Avenida 24 de Julho, em Lisboa.
Por sugestão de Fernandes Dias, foi convidado o arquitecto David Adjaye, nascido na Tanzânia e a residir em Londres, que desenhou um primeiro projecto do centro, financiado pela Fundação Gulbenkian, entidade parceira neste projecto, em conjunto com as Fundações de Serralves, Berardo, Culturgest e Ellipse.
"Eu já conhecia o trabalho dele (David Adjaye). É brilhante a recuperar edifícios", sublinhou o especialista.
De acordo com Fernandes Dias, a França, a Inglaterra, a Holanda, e mais recentemente a Espanha, que não tem relações históricas com África como Portugal, têm centros culturais de arte africana contemporânea.
Mas no África.cont, em Lisboa, "os PALOP não serão privilegiados porque já há muitas entidades a trabalhar com esses países. O centro não será criado em torno dos países de influência portuguesa, mas sim todo o continente, desde o Mediterrâneo até ao Cabo", salientou.
"Os portugueses têm muitas ideias feitas sobre África que estão ligadas ao colonialismo, e vêem a cultura e arte africana sobretudo no seu aspecto arcaico e rural", observou, acrescentando que o centro está interessado em mostrar a criação contemporânea no continente e na diáspora.
Na quarta-feira, dia 10 de Dezembro, o projecto será também apresentado à cidade no Cinema São Jorge pelo presidente da câmara António Costa, seguindo-se um espectáculo de dança e música africana, aberto ao público.
AG.
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