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Música

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Tony Carreira partilha a vida que escolheu numa autobiografia a editar este mês

publicado 12:41 12 Março '08

Lisboa, 12 Mar (Lusa) - O cantor Tony Carreira lança este mês uma autobiografia onde revela que quer gravar um fado de Amália, escolhe o seu melhor concerto de sempre e desvenda que, por vontade do pai, teria sido mecânico.

Coincidindo com os vinte anos de vida artística, Tony Carreira lança "A vida que eu escolhi" no dia 25 pela editora Bertrand, mas o livro já estará disponível no final desta semana, quando actuar no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.

O livro foi escrito pelo jornalista Rui Pedro Brás e reproduz as dezenas de horas de "conversas informais" que o autor teve com o cantor romântico.

"Eu já tinha feito vários trabalhos sobre o Tony e propus-lhe há um ano fazermos uma autobiografia", disse o autor à agência Lusa, sublinhando que foi apenas um "intermediário" na narraçao da história do artista.

No entender de Rui Pedro Brás, a vida de Tony Carreira "está repleta de experiências maravilhosas e interessantes", mas o livro dá conta ainda "dos sacrifícios, da família que ficou para segundo plano, da vida complicada que teve".

Ao longo de quase 200 páginas, Tony Carreira partilha o lado mais pessoal e íntimo, a infância passada em Armadouro, onde pastou cabras e viveu longe dos pais, a adolescência em Paris, para onde os pais emigraram e onde nasceu a paixão pela música.

As suas histórias são ilustradas por várias fotografias, a maioria retratos de família, do casamento, dos filhos, dos concertos e reproduções de capas de discos.

Os fãs do cantor ficarão ainda a saber como é que surgiu um dos seus grandes êxitos - "Ai destino, ai destino" - como é que conheceu a mulher com quem está casado há 23 anos e os sacrifícios que fez para chegar ao patamar dos mais bem sucedidos cantores românticos da actualidade.

"Não me sinto um ídolo, um cantor que arrasta multidões, alguém que soma discos de platina e enche salas pelo mundo inteiro", diz Tony Carreira.

"Sinto-me o mesmo menino que, já mais de trinta anos, abandonou a sua terra em busca de sonho".

Tony Carreira nasceu António Antunes numa casa humilde em Armadouro, na Beira Baixa.

O pai emigrou para França poucos dias de nascer e foi o avô António - a quem dedica o livro - que mais o marcou na infância.

Diz que era um miúdo reguila, guloso por bolachas Maria e que na adolescência, já em França, se sentiu completamente desenraizado em relação aos rapazes do seu tempo.

Trabalhou numa fábrica de enchidos para ganhar dinheiro, mas ainda hoje confessa que detestava o que fazia.

Apesar de hoje esgotar salas de espectáculos e vender milhares de discos, Tony Carreira conta que nem sempre teve sucesso, que fez discos maus e que sacrificou a vida pessoal e a educação dos filhos por causa da vida artística.

É por isso que dá mais valor à família e não renega as origens humildes: "Quando não temos nada, aprendemos a dar valor aos mais pequenos prazeres da vida".

Cumpridos os vinte anos, Tony Carreira diz que quer continuar a fazer discos e mostrá-los ao vivo num estádio de futebol e numa digressão acústica em salas pequenas, para estar mais perto do público.

Num dos próximoS álbuns, é provável que Tony Carreira inclua a primeira canção que se lembra de ter ouvido, o fado "Lágrima", interpretado por Amália Rodrigues.

Para ele é "a canção mais bonita do mundo".

SS.


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