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Chefe da Casa Real Portuguesa considera que evocar vida e obra de D. Carlos é "um acto de justiça e de reconciliação com a História

publicado 17:21 16 Janeiro '08

Lisboa, 16 Jan (Lusa) - O Chefe da Casa Real Portuguesa, Duarte Pio de Bragança, afirmou hoje que a evocação do centenário da morte do Rei D. Carlos "é um acto de justiça e de reconciliação do povo português com a sua História".

Na apresentação da comissão que irá coordenar várias iniciativas para lembrar os cem anos da morte do monarca, assim como do Príncipe Luis Filipe, assassinados a 01 de Fevereiro de 1908, Duarte Pio de Bragança sublinhou que a intenção não é recordar o regicídio, mas a figura que foi D. Carlos.

"Temos que encarar a História como um passado de todos nós e evitar que sejam precisas revoluções para evoluir", sublinhou o Duque de Bragança, referindo que se pretende evocar "um português que entregou a vida pela pátria".

A Comissão D. Carlos 100 anos, hoje apresentada em Lisboa, está a coordenar uma série de eventos, como exposições, conferências e colóquios que pretendem dar a conhecer a vida política, diplomática, desportiva, artística e científica de D. Carlos.

Com o patrocínio da Fundação D. Manuel II, presidida por Duarte Pio de Bragança, a comissão é coordenada por Nuno Van Uden, e integra ainda, entre outros, Adriano Moreira, Rui Ramos, Manuel Braga da Cruz, Alexandre Bettencourt e o general Alexandre Sousa Pinto.

Entre as iniciativas que compõem o programa de reflexão sobre a vida e obra de D. Carlos, contam-se, em Fevereiro, um ciclo de conferências no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, um seminário em Maio sobre os mares lusófonos, a decorrer na Torre de Belém, e um colóquio, em Setembro, na Universidade Católica, sobre o rei e a monarquia constitucional.

Haverá ainda um congresso internacional oceanográfico em Outubro, uma emissão de selos com a imagem do Rei D. Carlos, a prova internacional de Vela Taça D. Carlos, a decorrer em Agosto no Algarve, e uma exposição iconográfica e fotográfica sobre o monarca, em Setembro, na Universidade Católica.

A editora Ésquilo deverá editar o livro "Diário íntimo de D. Manuel II", e a Asa irá reeditar a obra "O príncipe real - D. Luís Filipe de Bragança".

"É muito fácil uma pessoa entusiasmar-se com a figura de D. Carlos", disse hoje Nuno Van Uden, coordenador da comissão, sublinhando o carácter empreendedor do monarca em áreas tão diversas como a pintura, a oceanografia e a diplomacia.

D. Carlos, penúltimo Rei de Portugal, reinou entre 1889 e 01 de Fevereiro de 1908, dia em que foi assassinado, juntamente com o seu filho, o príncipe herdeiro Luís Filipe, no Terreiro do Paço, em Lisboa, por dois elementos da Carbonária.

O regicídio foi visto como o derradeiro passo para o fim da monarquia, que ocorreu dois anos depois, em 1910.

Para o próximo dia 01 de Fevereiro, que a Causa Real propõe como Dia de Luto Nacional, está prevista uma concentração na Praça do Comércio pelas 17:00, seguindo-se uma missa na igreja de S. Vicente de Fora, onde se encontra o Panteão Real, presidida pelo Cardeal Patriarca, D. José Policarpo.


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