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Cinema

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Manoel de Oliveira é o mais novo doutor da Universidade do Algarve

publicado 18:47 15 Janeiro '08

Faro, 15 Jan (Lusa) - Manoel Cândido Pinto de Oliveira, o realizador mais velho do mundo no activo, recebeu hoje debaixo de uma chuva de palmas as insígnias do grau de doutor Honoris Causa da Universidade do Algarve, título cedido pelo reitor João Guerreiro.

"Eis-me no momento mais difícil do doutoramento", declarou no primeiro discurso que fez enquanto novo doutor da Universidade do Algarve, arrancando uma sonora gargalhada do Grande Auditório repleto de académicos, autoridades locais e do secretário de Estado da Cultura.

"A alma é a rainha dos vícios. O meu cinema não será o vício da minha alma?", questionou O realizador, recordando a frase original - "A alma é um vício" - da escritora Agustina Bessa-Luís, que pôs numa das falas de Francisca, personagem que passou da literatura para a tela do cinema pela mão de Oliveira.

"Extremamente grato" e "honrado" pelos elogios à sua obra cinematográfica e pelo grau académico dado pela Universidade do Algarve, Manoel de Oliveira disse sentir-se "um pequeno português num enorme país que é Portugal".

"O Portugal que é hoje o país mais internacional de todos os países do mundo sem deixar de ser português", disse, regozijando-se pelo facto de não haver nada melhor para "qualquer artista do que a compreensão do seu trabalho".

Sempre brincalhão, o cineasta de 99 anos gracejou com o facto de os críticos por vezes lhe pedirem para explicar a sua obra, e afirmou que como realizador pode perder dias ou mesmo anos para ser "explícito e claro naquilo que pretende dizer, mas sem ser directo".

"É ridículo quando um crítico pergunta o que quer dizer com isto", mencionou, arrancando nova gargalhada da plateia.

O autor de "Francisca" (1981), "Vale Abraão (1993), a "Caixa" (1994) e de muitas outras dezenas de trabalhos com a marca `oliveiriana` de longos planos fixos foi homenageado hoje pelo reitor da Universidade.

"Manoel de Oliveira irá enriquecer", "rejuvenescer" e "dignificar esta universidade", e o exemplo da vida de Manoel de Oliveira "preenche as actividades da Universidade", referiu João Guerreiro, recordando que o autor de Aniki-Bobó (1942) quase que nos habituou a "um filme diferente em cada novo ano".

O acto académico decorreu no Grande Auditório da Universidade do Algarve (UAlg) em Gambelas, com a oração de sapiência do professor universitário Mário Jorge Torres, também o padrinho do novo doutor Manoel de Oliveira, que afirmou que a tragédia de Manoel de Oliveira "era ser maior que o seu país".


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