O documentário, que percorre de forma cronológica 13 anos de conflitos nas antigas colónias portuguesas, resulta de uma "pesquisa bastante aprofundada com recurso a muitas fontes para dar uma visão global dos acontecimentos", explicou Joaquim Furtado à Agência Lusa.
"Traz novas informações, novas visões sobre algumas verdades oficiais", disse, apontando como exemplos os acontecimentos logo no início da guerra em Angola, e o episódio que ficou conhecido como o "Massacre de Mueda", em Moçambique, onde morreram centenas de pessoas.
Ao longo de oito anos, viu mais de seis mil filmes, oriundos, nomeadamente, dos arquivos da RTP, dos serviços de audiovisuais do Exército, muitos arquivos particulares e realizou cerca de 200 entrevistas a protagonistas dos vários lados do conflito.
Sublinhou que, apesar de existir um enquadramento histórico do trabalho, a perspectiva da obra é a de um jornalista: "O meu objectivo é poder dar um contributo para os historiadores tratarem este período", assinalou.
"É essencialmente um visão global com as perspectivas de quem viveu este período chamando-lhe guerra colonial, guerra no Ultramar ou guerra da libertação", destrinçou, sobre os vários protagonistas envolvidos.
Jornalista do Rádio Clube Português na época, em pleno estúdio leu o célebre "Comunicado das Forças Armadas", pouco depois da rádio ter sido ocupada pelos militares revoltosos que puseram fim ao regime com a Revolução de 1974.
Mais tarde viria a entrar para a RTP, e nos anos 80 começou a pensar neste projecto, mas foi adiado por várias vezes, regressando a ele só depois de ter saído da estação pública de televisão, em 1998, quando se demitiu da direcção.
Quando teve finalmente disponibilidade para o retomar encontrou mais material do que esperava, em milhares de filmes, 500 horas de gravações, que suscitaram entrevistas a algumas pessoas que foi identificando nas imagens.
O autor disse à Lusa que os primeiros nove episódios, com cerca de uma hora cada, vão ser exibidos na RTP1 até ao final do ano, e está já em fase de produção uma segunda série para exibir em 2008.
Sobre outros projectos, comentou que "A Guerra" ainda irá absorvê-lo durante algum tempo, mas admitiu que pretende fazer outros documentários.
A série "A Guerra" será exibida terça-feira às 21:00 no canal 1 da RTP, após o Telejornal.