sábado, 21 novembro 2009 | 05:12

Mundo

por Carlos Santos Neves, RTP

Presidente do Parlamento Europeu defende boicote das Olimpíadas de Pequim

publicado 13:54 22 Março '08
Pöttering insta os países-membros da UE a “falarem a uma só voz” Karim Chergui, EPA

As autoridades chinesas devem encetar a breve trecho conversações com o Dalai Lama e pôr termo à repressão no Tibete, sob pena de enfrentarem eventuais “medidas de boicote” dos Jogos Olímpicos, defende o presidente do Parlamento Europeu, Hans Gert Pöttering, em entrevista ao jornal alemão Bild am Sonntag. Nas páginas do órgão oficial Diário do Povo, Pequim promete prosseguir a repressão.

“Pequim deve decidir-se. Deve tratar imediatamente com o Dalai Lama. Mas, se não houver qualquer sinal de comunicação, considero que seriam justificáveis medidas de boicote”, afirma o presidente do Parlamento Europeu na entrevista ao Bild am Sonntag, a publicar no domingo.

Hans Gert Pöttering insta os países-membros da União Europeia a “falarem a uma só voz” em defesa do respeito pelos Direitos Humanos em território tibetano.

“A China é um parceiro importante da Europa, por exemplo na protecção do clima. O diálogo e a cooperação relevam de um interesse recíproco. Por outro lado, o povo tibetano não deve ser sacrificado. Perderíamos o nosso amor-próprio”, enfatiza.

O presidente do Parlamento Europeu havia já exortado, há alguns dias, os líderes internacionais que planeiam marcar presença nas Olimpíadas de Pequim a reverem as suas intenções, se a China continuar a empregar a força no Tibete. Mas Pöttering é, até ao momento, uma voz solitária. Na passada segunda-feira, os ministros da União Europeia com a tutela do desporto recusavam um cenário de boicote aos Jogos Olímpicos de Agosto.

Países como a Alemanha, Japão e Canadá já se pronunciaram abertamente contra a ideia de um boicote.

”Reprimir a conspiração”

Nas últimas horas, Pequim publicou uma lista com 21 tibetanos que integraram as manifestações contra a administração chinesa, com o argumento de que representam uma “ameaça à segurança nacional”. O Governo chinês oferece dinheiro a quem entregar os tibetanos procurados e sigilo a quem os denunciar.

Uma semana depois da vaga de violência que varreu a capital do Tibete, a China assegura que vai manter a repressão para “esmagar” a contestação independentista.

“A China deve reprimir firmemente a conspiração que visa a sabotagem e esmagar as forças tibetanas de independência”, escreve em editorial o Diário do Povo. O órgão oficial do Partido Comunista Chinês afirma que “1,3 mil milhões de chineses, incluindo o povo tibetano, não deixarão que alguém mine a estabilidade na região”.

As manifestações em Lhasa, lideradas por monges budistas, tiveram início a 10 de Março, por ocasião do aniversário da sublevação de 1959 contra a ocupação chinesa.

O último balanço oficial das autoridades de Pequim estabelece em 19 o número de pessoas mortas nos confrontos de Lhasa, entre as quais 18 “civis inocentes” – o primeiro balanço apontava para 13 vítimas mortais.

Em Dharamsala, na Índia, o Governo tibetano no exílio “confirma” 99 mortos no Tibete e nas províncias vizinhas com comunidades tibetanas.

Este sábado, um grupo de 30 escritores, académicos e activistas dos Direitos Humanos fez um apelo ao Governo chinês para que se sente à mesa das conversações com o líder espiritual do Tibete e abra as portas daquele território a investigadores internacionais e independentes.

A cinco meses da abertura dos Jogos Olímpicos, Pequim continua a ignorar os apelos ao diálogo e renova as acusações ao Dalai Lama, a quem assaca responsabilidades directas pelos “motins” de Lhasa e demais manifestações que entretanto alastraram a outras províncias chinesas.

“O objectivo da clique do Dalai Lama é perturbar os Jogos Olímpicos, o povo e a sociedade e ferir a unidade política do país, ao conspirar para separar o Tibete da China”, escreve o Diário do Povo.

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