"A União para o Mediterrâneo tem por objectivo, para além da cooperação existente (...), o reforço da aproximação entre os seus participantes através do desenvolvimento de novos projectos de dimensão regional", sublinha o documento que será apresentado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, aos restantes chefes de Estado e de Governo da UE, na quinta e sexta-feira, em Bruxelas.
O documento, de pouco mais de uma página, a que a Agência Lusa teve acesso, prevê a realização de uma Cimeira a 13 de Julho entre os líderes dos 27 da UE, a Comissão Europeia e os restantes países do Mediterrâneo.
"Será a ocasião de adoptar um texto político e de lançar novos projectos dirigidos à cooperação regional", segundo a proposta.
Paris pretende assim que o actual "Processo de Barcelona" de cooperação entre as duas margens do Mediterrâneo e que tarda em apresentar resultados seja rebaptizado de "União para o Mediterrâneo".
O jantar de quinta-feira entre os líderes europeus permitirá clarificar a posição dos Estados-membros, quase um ano depois do presidente francês ter lançado esta ideia que foi interpretada na altura como sendo a vontade de Paris de promover uma alternativa à entrada da Turquia na UE, a que Sarkozy se opõe.
Na semana passada, o presidente francês fez várias concessões à chanceler alemã, Ângela Merkel, que se opunha que a nova organização tivesse uma estrutura que parecia excluir os países europeus não ribeirinhos do Mediterrâneo.
Fonte diplomática em Bruxelas disse que a nova proposta tem interesse se houver "novos projectos" que "aprofundam" o Processo de Barcelona, mas que isso não é ainda claro.
Outra questão que coloca dúvidas a vários Estados-membros é a de se saber quem vai financiar esses novos projectos.
A Eslovénia, que assegura durante este semestre a presidência da UE e que em Julho é substituída pela França, foi um dos países que mostrou em Janeiro último o seu desagrado em relação ao projecto inicial de Paris.
"Não precisamos de duplicação ou de instituições a concorrer com instituições da UE", declarou na altura o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa.
A França defende que o Processo de Barcelona, lançado em 1995 pela UE para aproximar a Europa dos seus vizinhos do Sul, através de uma agenda comum de cooperação económica, política e de segurança, está esgotado.
Os chefes de Estado e de Governo da UE vão ainda lançar quinta e sexta-feira, em Bruxelas, um novo ciclo da chamada "Estratégia de Lisboa" de modernização da economia europeia.
Os documentos preparatórios da Cimeira defendem que essa estratégia, iniciada em 2000 na capital portuguesa, está a dar resultados positivos e a proteger os europeus das turbulências nos mercados financeiros internacionais.
Aquela que também é conhecida como a Cimeira da Primavera da UE, na qual participará o primeiro-ministro português, José Sócrates, também irá avalizar o ambicioso plano europeu de luta contra as alterações climáticas, que inclui objectivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa e a utilização de energias renováveis.
FPB/RM.
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