Segunda, 22 de Dezembro de 2014
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Comunidades

Irene Maria F. Blayer, Lélia Pereira Nunes

2012-05-12 20:34:04

Penteando a memória 22 -Carlos Enes




PENTEANDO A MEMÓRIA 22

CARLOS ENES

 Tal como acontecera noutras regiões do país, o futebol na Terceira foi também introduzido por um grupo de estudantes na Grã-Bretanha: Tomé de Castro, Eduardo Abreu e José Narciso Parreira Coelho.

Passada a primeira fase do entusiasmo nos finais do século XIX, ou porque a bola se terá rasgado, a imprensa deixou de falar em futebol durante alguns anos. Só a partir de 1909, se notou uma nova dinâmica, em que foram aparecendo, entre outros, os seguintes grupos: Grupo Foot-Ball Angrense, Republicano Sport Club, Angra Sport Club, Recreio Foot-Ball Club, a primeira equipa a utilizar redes na baliza (1913), Associação dos Empregados do Comércio e vários grupos de alunos do liceu. Até À I Guerra Mundial, os jogos realizavam-se no Relvão, que entretanto foi ocupado por militares que deixaram o terreno impraticável.


(Sport Clube Lusitânia, anos 60)


A partir dos anos 20, deu-se uma grande reestruturação com a fusão de pequenos grupos, constituindo-se equipas que perduraram até ao presente. Assim, em 1922, fundou-se o Sport Clube Lusitânia, cujo nome é uma homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, pela travessia aérea do Atlântico Sul, num avião com o mesmo nome. Surgiu da junção do Angra Sport Club e do Recreio dos Artistas Sport Club. Em 1929, apareceu o Sport Club Angrense, numa fusão do Clube Desportivo Angrense com o Sporting Club da Terceira. A outra grande equipa da cidade só foi fundada oficialmente em 1938, o Sport Club Marítimo. Em 1924, foi inaugurado oficialmente o campo de jogos da cidade, melhorado em 1943. Outro campo utilizado, até aos anos 30, ficava situado no antigo convento da Graça. Em 1992, foi inaugurado o campo João Paulo II.



(Sport Clube Angrense, 1933)


 Na Praia da Vitória, nos anos 20, existiram o Clube Praiense, o Santa Cruz Foot-Ball Club e o Foot-Ball 11 de Agosto. Só depois da instalação da Base Aérea Portuguesa, nas Lajes, o futebol voltou a ter algum fulgor, beneficiando da presença de muitos militares do continente. Em 1947, fundou-se o Sport Clube Praiense, e o União Desportiva Praiense, no ano seguinte.


Nas freguesias rurais, o fenómeno é mais recente. Nos anos 20, há notícias de alguns encontros na Serreta, nas Lajes e na Vila Nova, mas só em 1953, o Sport Clube Vilanovense se ergueu, sendo a primeira equipa de uma freguesia rural a entrar nas competições oficiais da Associação de Angra. Em 1958, surgiram duas novas equipas nas Lajes: Unidos, já desaparecido, e o Juventude Desportiva Lajense, renascido recentemente. Estas foram as primeiras equipas federadas a disputarem provas da Associação de Futebol de Angra, em primeiras e segundas categorias, até aos anos 60. Noutras freguesias também se praticava a modalidade de forma oficial, com destaque para as equipas do Porto Judeu e São Mateus. A grande explosão aconteceu a parti dos anos 70.



(Maritimo de São Mateus, 1969.)


 O futebol juvenil também se desenvolveu na Terceira, mas com muita irregularidade. Em 1912, havia infantis no Angra Sport Club, Club Foot-Ball Angrense, mas só passaram a realizar-se jogos oficiais a partir dos anos 60, com a participação de quase todos os clubes federados. O futebol feminino, só surgiu nos anos 90. Em 2003, estavam filiados na Associação de Angra duas dezenas de clubes.

  

 

por: Irene Maria F. Blayer - Lelia Pereira Nunes

Este blogue é  sobre a perspectiva da distância, o olhar de quem vive os Açores radicado na América do Norte, na Europa, no Brasil, ou em qualquer outra região. É escrito por personalidades de referência das nossas comunidades com ligações intensas ao arquipélago dos Açores (25.02.2007).

Irene Maria F. Blayer - Nasceu em São Jorge, Azores, e vive no Canadá.  
She holds a Ph.D. in Romance Linguistics and is a Full Professor at Brock University, Canada -Doutorada em linguística, é Professora Catedrática na Univ. Brock. Neste espaço procura-se a colaboração de colegas e amigos cujos textos, depoimentos, e outros -em Inglês, Português, Francês, ou Castelhano- sejam vozes que testemunhem a  nossa 'narrativa' diaspórica, ou se remetam a uma pluralidade de encontros onde se enquadra um universo  que  contempla uma íntima proximidade e cumplicidade com o nosso imaginário cultural e identitário.

Lélia Pereira da Silva Nunes - Brasil
Nasceu em Tubarão, vive em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Socióloga, Professora da Universidade Federal de Santa Catarina, aposentada. Titular do Conselho Estadual de Cultura atuando nas Câmaras de Letras e Patrimônio Cultural.  Pertence a Academia Catarinense de Letras, Cadeira 26. Iinvestigadora do Patrimônio Cultural Imaterial (experts/UNESCO,Mercosul), escritora e, sobretudo, uma apaixonada pelos Açores. Este é um espaço, sem limites nem fronteiras, aberto ao diálogo plural sobre as nossas comunidades. Um espaço que, aproximando geografias, reflete mundivivências a partir do "olhar distante e olhar de casa," alicerçado no vínculo afetivo e intelectual com os Açores. Vozes açorianas, onde quer que vivam, espalhadas pelo mundo e, aqui reunidas num grande abraço fraterno, se fazem ouvir. Azorean descent.-- Born in Tubarão(SC) and  lives in Florianopolis, Santa Catarina Island,Brasil. She holds postgraduate degreees  in Public Administration, and is an Associate Professor at Federal University of Santa Catarina.

 

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