Segunda, 21 de Abril de 2014
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Comunidades

Irene Maria F. Blayer, Lélia Pereira Nunes

2012-05-12 20:34:04

Penteando a memória 22 -Carlos Enes




PENTEANDO A MEMÓRIA 22

CARLOS ENES

 Tal como acontecera noutras regiões do país, o futebol na Terceira foi também introduzido por um grupo de estudantes na Grã-Bretanha: Tomé de Castro, Eduardo Abreu e José Narciso Parreira Coelho.

Passada a primeira fase do entusiasmo nos finais do século XIX, ou porque a bola se terá rasgado, a imprensa deixou de falar em futebol durante alguns anos. Só a partir de 1909, se notou uma nova dinâmica, em que foram aparecendo, entre outros, os seguintes grupos: Grupo Foot-Ball Angrense, Republicano Sport Club, Angra Sport Club, Recreio Foot-Ball Club, a primeira equipa a utilizar redes na baliza (1913), Associação dos Empregados do Comércio e vários grupos de alunos do liceu. Até À I Guerra Mundial, os jogos realizavam-se no Relvão, que entretanto foi ocupado por militares que deixaram o terreno impraticável.


(Sport Clube Lusitânia, anos 60)


A partir dos anos 20, deu-se uma grande reestruturação com a fusão de pequenos grupos, constituindo-se equipas que perduraram até ao presente. Assim, em 1922, fundou-se o Sport Clube Lusitânia, cujo nome é uma homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, pela travessia aérea do Atlântico Sul, num avião com o mesmo nome. Surgiu da junção do Angra Sport Club e do Recreio dos Artistas Sport Club. Em 1929, apareceu o Sport Club Angrense, numa fusão do Clube Desportivo Angrense com o Sporting Club da Terceira. A outra grande equipa da cidade só foi fundada oficialmente em 1938, o Sport Club Marítimo. Em 1924, foi inaugurado oficialmente o campo de jogos da cidade, melhorado em 1943. Outro campo utilizado, até aos anos 30, ficava situado no antigo convento da Graça. Em 1992, foi inaugurado o campo João Paulo II.



(Sport Clube Angrense, 1933)


 Na Praia da Vitória, nos anos 20, existiram o Clube Praiense, o Santa Cruz Foot-Ball Club e o Foot-Ball 11 de Agosto. Só depois da instalação da Base Aérea Portuguesa, nas Lajes, o futebol voltou a ter algum fulgor, beneficiando da presença de muitos militares do continente. Em 1947, fundou-se o Sport Clube Praiense, e o União Desportiva Praiense, no ano seguinte.


Nas freguesias rurais, o fenómeno é mais recente. Nos anos 20, há notícias de alguns encontros na Serreta, nas Lajes e na Vila Nova, mas só em 1953, o Sport Clube Vilanovense se ergueu, sendo a primeira equipa de uma freguesia rural a entrar nas competições oficiais da Associação de Angra. Em 1958, surgiram duas novas equipas nas Lajes: Unidos, já desaparecido, e o Juventude Desportiva Lajense, renascido recentemente. Estas foram as primeiras equipas federadas a disputarem provas da Associação de Futebol de Angra, em primeiras e segundas categorias, até aos anos 60. Noutras freguesias também se praticava a modalidade de forma oficial, com destaque para as equipas do Porto Judeu e São Mateus. A grande explosão aconteceu a parti dos anos 70.



(Maritimo de São Mateus, 1969.)


 O futebol juvenil também se desenvolveu na Terceira, mas com muita irregularidade. Em 1912, havia infantis no Angra Sport Club, Club Foot-Ball Angrense, mas só passaram a realizar-se jogos oficiais a partir dos anos 60, com a participação de quase todos os clubes federados. O futebol feminino, só surgiu nos anos 90. Em 2003, estavam filiados na Associação de Angra duas dezenas de clubes.

  

 

por: Irene Maria F. Blayer - Lelia Pereira Nunes

Este blogue é  sobre a perspectiva da distância, o olhar de quem vive os Açores radicado na América do Norte, na Europa, no Brasil, ou em qualquer outra região. É escrito por personalidades de referência das nossas comunidades com ligações intensas ao arquipélago dos Açores (25.02.2007).

Irene Maria F. Blayer - Nasceu em São Jorge, Azores, e vive no Canadá.  
She holds a Ph.D. in Romance Linguistics and is a Full Professor at Brock University, Canada -Doutorada em linguística, é Professora Catedrática na Univ. Brock. Neste espaço procura-se a colaboração de colegas e amigos cujos textos, depoimentos, e outros -em Inglês, Português, Francês, ou Castelhano- sejam vozes que testemunhem a  nossa 'narrativa' diaspórica, ou se remetam a uma pluralidade de encontros onde se enquadra um universo  que  contempla uma íntima proximidade e cumplicidade com o nosso imaginário cultural e identitário.

Lélia Pereira da Silva Nunes - Brasil
Nasceu em Tubarão, vive em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Socióloga, Professora da Universidade Federal de Santa Catarina, aposentada, investigadora do Patrimônio Cultural Imaterial (experts/UNESCO,Mercosul), escritora e, sobretudo, uma apaixonada pelos Açores. Este é um espaço, sem limites nem fronteiras, aberto ao diálogo plural sobre as nossas comunidades. Um espaço que, aproximando geografias, reflete mundivivências a partir do "olhar distante e olhar de casa," alicerçado no vínculo afetivo e intelectual com os Açores. Vozes açorianas, onde quer que vivam, espalhadas pelo mundo e, aqui reunidas num grande abraço fraterno, se fazem ouvir. Azorean descent.-- Born in Tubarão(SC) and  lives in Florianopolis, Santa Catarina Island,Brasil. She holds postgraduate degreees  in Public Administration, and is an Associate Professor at Federal University of Santa Catarina.

 

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