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Hans Eisler
O LIVRO DE CANÇÕES DE HOLLYWOOD
1ª Parte
POEMAS DE BERTOLT BRECHT
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Der Sohn – Bertolt Brecht
I
Wenn sie nachts lag und
dachte
Und ihr Sohn auf der
grimmigen See!
Sie Konnte nicht
einschlafen
Ihr Herz, das pochte so laut.
Wenn ihr Sohn sie besuchen
kam
Stand sie nachts vor der
Hüttenwand
Wasser aus einem Eimer
schüttete sie
An die Wand, hinter der ihr
Sohn lag
Damit er einschlief, weil
er meinte
Er sei auf der See.
II
Meiner junger Sohn fragt mich: Soll ich Mathematik
lernen?
Wozu, möchte ich sagen.
Dass zwei Stück Brot mehr ist als eines.
Das wirst du auch so merken.
Mein junger Sohn fragt mich:
Soll ich Französisch lernen?
Wozu, möchte ich sagen.
Dieses Reich geht unter. Und
Reibe du nur mit der Hand
den Bauch und stöhne
Und man wird dich schon verstehen.
Mein junger Sohn fragt mich:
Soll ich Geschichte lernen?
Wozu, möchte ich sagen.
Lerne du deinen Kopf in die Erde stecken
Da wirst du vielleicht übrigbleiben.
Ja, lerne Mathematik, sage
ich
Lerne Französisch, ja,
lerne Geschichte!
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O Filho (1): Quando à
noite deitada ela pensava
Quando à noite deitada ela pensava
No seu filho sobre o mar ameaçador,
Ela não podia adormecer,
O seu coração tão alto pulsava.
Quando o filho a vinha visitar,
Ela ficava de noite diante da parede da
cabana
E lançava água de um balde
À parede, atrás da qual o seu filho
estava deitado
E assim ele adormecia, porque ele julgava
Que estava no mar.
O Filho (2):
O meu jovem filho perguntou-me
O meu jovem filho perguntou-me: Devo eu
matemática aprender?
Para quê, eu gostaria de dizer. Que dois
bocados de pão é mais que um.
Isto compreenderás tu também.
O meu jovem filho perguntou-me: Devo eu
francês aprender?
Para quê eu gostaria de dizer. Este
império está acabado.
Por isso tudo o que necessitas fazer é
passar a mão pela barriga e lamentares-te
E então certamente te compreenderão.
O meu jovem filho perguntou-me: Devo eu
história aprender?
Para quê eu gostaria de dizer. Aprende a
tua cabeça na terra a meter.
Aí talvez tu ficarás.
Sim, estuda matemática digo eu
Estuda francês, sim, estuda história!
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An den kleinen Radioapparat
Bertolt Brecht
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A um rádio portátil
Bertolt Brecht
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Du kleiner Kasten, den ich
flüchtend trug
Dass seine Lampen mir auch
nicht zerbrächen
Besorgt von’ Haus zum
Schiff, vom Schiff zum Zug
Dass meine Feinde weiter
zur mir sprächen
An meinem Lager und zu
meiner Pein
Der letzten nachts, der
ersten in der Früh
Von ihren Siegen und von
meiner Müh:
Versprich mir, nicht auf
einmal stumm zu sein!
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Tu pequena caixa que eu transportei fugindo
Para que as suas lâmpadas também não me destruíssem,
Preocupado de casa para o barco, do barco
para o comboio
Para que os meus inimigos a falar-me continuassem.
No meu acampamento e para meu sofrimento
Última à noite, primeira de madrugada
Das suas vitórias e dos meus trabalhos
Promete-me que não ficarás de vez calada!
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In den Weiden
In den Weiden am Sund
Ruft in diesen
Frühjahrsnächten oft das Käuzlein.
Nach dem Aberglauben der
Bauern
Setzt das Käuzlein die
Menschen davon in Kenntnis
Dass sie nicht lang leben.
Mich
Der ich weiss, dass ich die
Wahrheit gesagt habe
Über die Herrschenden,
braucht der Totenvogel davon
Nicht erst in kenntnis zu setzen.
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Nos salgueiros
Nos salgueiros no estreito do mar,
Nestas noites de primavera ouve-se muitas
vezes a pequena coruja piar.
Segundo a superstição dos camponeses,
A pequena coruja avisa os homens
De que eles não viverão muito tempo.
Eu que sei que disse a verdade
Sobre os poderosos, não precisa a ave
agoureira
Dar-me disso conhecimento.
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Frühling
Bertolt Brecht "Finnische
Landschaft"
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Primavera
Paisagem finlandesa
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Fischreiche Wässer!
Schönbäumige Wälder!
Birken-und Beerenduft!
Vieltöniger Wind,
durchschaukelnd eine Luft
So mild, als stünden jene
eisernen Milchbehälter
Die dort vom weissen Gute rollen, offen!
Geruch und Ton und Bild und
Sinn verschwimmt.
Der Flüchtling sitzt im
Erlengrund und nimmt
Sein schwieriges Handwerk
wieder auf: das Hoffen.
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Águas ricas em peixe! Bosques de bonitas
árvores!
Aroma de bétulas e bagas!
Harmonia de ventos que suavemente embalam
um ar
Tão suave que aquelas retinentes leiteiras
de ferro
Que, ali da branca casa balançam, podem abrir!
Cheiro e som, imagem e sentido confundidos.
O fugitivo senta-se debaixo do amieiro e
levanta
Uma vez mais o seu difícil ofício: a esperança.
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Speisekammer 1942
Bertolt Brecht "Finnische
Gutsspeisekammer 1940"
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Despensa 1942
Bertolt Brecht "Despensa finlandesa
1940"
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O schattige Speise! Einer
dunklen Tanne
Geruch geht nächtlich
brausend in dich ein
Und mischt sich mit dem
süsser Milch aus grosser Kanne
Und dem des Räucherspecks
vom kalten Stein.
Bier, Ziegenkäse, frisches
Brot und Beere
Gepflückt im grauen Strauch, wenn Frühtau fällt!
Oh, könnt ich laden euch,
die überm Meere
Der Krieg der leeren Mägen hält!
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Ó sombria comida! O cheiro de um escuro
pinheiro
Penetra de noite através de ti soprando
E mistura-se com o doce leite da grande
leiteira
E com o presunto fumado na sua fria pedra.
Cerveja, queijo de cabra, pão fresco e bagas,
Colhidos do descolorido ramo, quando o
orvalho cai!
Oh! pudesse eu convidar-vos, vós que sobre
o mar
A guerra de estômago vazio mantém.
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Auf der Flucht
Bertolt Brecht "Die
Pfeifen"
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Na retirada
Bertolt Brecht "Os flautins"
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Da ich die Bücher, nach
der Grenz hetzend
Den Freunden liess, entrat
ich des Gedichts
Doch führt ich meine
Rauchgefässe mit, verletzend
Des Flüchtlings dritte Regel: Habe nichts!
Die Bücher sagen dem nicht viel, der nun
Auf solche wartet, kommend,
ihn zu greifen.
Das Ledersäcklein und die
alten Pfeifen
Vermögen fürder mehr für
ihn zu tun.
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Abandonando, à pressa para atravessar a
fronteira,
Aos amigos os meus livros deixei, incluindo
também o meu poema,
Porém eu levei comigo a minha flauta,
Infringindo a terceira regra do fugitivo:
Nada contigo!
Os livros não dizem muito àquele que só
espera ver chegar os que o hão-de apanhar.
A sacola de couro e a velha flauta
Podem maior uso proporcionar.
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Über den Selbstmord
Bertolt Brecht (aus: "Der
gute Mensch von Sezuan")
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Sobre o suicídio
Bertolt Brecht (de: "O bom homem de
Sezuan")
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In unserem Lande
Dürfte es trübe Abende
nicht geben
Auch hohe Brücken über
die Flüsse
Selbst die Stunde zwischen
Nacht und Morgen
Und die ganze Winterzeit dazu, das ist gefährlich.
Denn angesichts des Elends
Genügt ein Weniges
Und die Menschen werfen
Das unerträgliche Leben
fort
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No nosso país
Não devia haver noites tão melancólicas
E também altas pontes sobre os rios,
Porque as horas entre a noite e a manhã
E todo o inverno são perigosos.
Pois perante a miséria
Basta só um pouco
Para os homens se lançarem
E a insuportável vida acabarem.
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Die Flucht
Bertolt Brecht
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A fuga
Bertolt Brecht
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Auf der Flucht vor meinem
Landsleuten
Bin ich nun nach Finnland gelangt. Freunde
Die ich gestern nicht kannte, stellten ein paar Betten
In saubere Zimmer. Im
Lautsprecher
Höre ich die
Siegesmeldungen des Abschaums. Neugierig
Betrachte ich die Karte des Erdteils. Hoch oben in Lappland
Nach dem Nördlichen
Eismeer zu
Sehe ich noch eine kleine Tür.
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Na minha fuga dos meus compatriotas
Eu fui tão longe como à Finlândia.
Amigos
Que eu ainda ontem não conhecia, puseram
à disposição camas
Em asseados quartos. Na rádio eu ouvi os
anúncios da vitória da escória. Curioso estudei o mapa do continente .
Lá no cimo, na Lapónia.
Para o Oceano Glacial Árctico
Eu vejo ainda uma pequena porta.
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Gedenktafel für 4000 Soldaten, die im Krieg gegen Norwegen versenkt wurden
Bertolt Brecht "Gedenktafel
für 4000, die im Krieg des Hitler gegen Norwegen versenkt wurden"
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Epitáfio para 4000 soldados que morreram
afogados na guerra contra a Noruega
Bertolt Brecht "Epitáfio para 4000,
que na guerra de Hitler contra a Noruega morreram afogados"
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Wir liegen allesamt im Kattegatt.
Viehdampfer haben uns hinabgenommen.
"Fischer, wenn dein
Netz hier viele Fische gefangen hat
Gedenke unser und lass
einen entkommen!"
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Nós estávamos todos juntos em Kattegatt
E fomos levados em barcos de gado
"Pescador, quando a tua rede tiver
apanhado muitos peixes,
Pensa em nós e deixa um fugir!"
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Epitaph auf einen in der
Flandernschlacht Gefallenen
Bertolt Brecht "Gedenktafel
für im Krieg des Hitler gegen Frankreich Gefallenen"
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Epitáfio a um caído na guerra da Flandres
Bertolt Brecht "Epitáfio a um caído
na guerra de Hitler contra a França."
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Dass er verrecke! ist mein
letzter Wille.
Er ist der Erzfeind. Hört ihr, das ist wahr!
Ich kann es sagen, denn nur
die Loire
Weiss, wo ich nunmehr bin.
Und eine Grille.
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Que ele morra é a minha última vontade.
Ele é inimigo. Ouvi, isto é verdade.
Eu posso dizê-lo, pois só o Loire
Sabe onde eu estou agora e um grilo.
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Spruch
Bertolt Brecht
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Provérbio
Bertolt Brecht
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Dies ist nun alles und ist
nicht genug.
Doch sagt es euch vielleicht, ich bin noch da.
Dem gleich ich, der den
Backstein mit sich trug
Der Welt zu zeigen, wie
sein Haus aussah.
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Isto agora é tudo e não é suficiente.
Porém diz-vos talvez que eu ainda estou
vivo.
Eu sou como aquele que trouxe o tijolo
consigo
Para mostrar o aspecto da sua casa.
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Ostersonntag
Bertolt Brecht "Frühling
1938"
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Domingo de Páscoa - Bertolt Brecht "Primavera 1938"
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Heute, Ostersonntag früh
Ging ein plötzlicher
Schneesturm über die Insel.
Zwischen den grünenden
Hecken lag Schnee. Mein junger Sohn
Holte mich zu einem
Aprikosenbäumchen an der Hausmauer
Von einem Vers weg, in dem
ich diejenigen mit dem Finger deutete
Die einen Krieg vorbereiteten, der
Den Kontinent, diese Insel
mein Volk, meine Familie und mich
Vertilgen mag. Schweigend
Legten wir einen Sack
Über den frierenden Baum.
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Hoje, domingo de Páscoa, cedo,
Um repentino nevão cobriu a ilha.
Entre as verdejantes vedações a neve jazia.
O meu jovem filho
Foi-me buscar para salvar uma pequena
árvore de ameixas junto do muro da casa,
Pondo de lado um verso em que eu indicava
aqueles que preparavam uma guerra que
Podia destruir o continente, esta ilha, o
meu povo, a minha família e a mim próprio.
Silenciosamente
Nós colocamos um saco
Sobre a enregelada árvore.
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Der Kirschdieb
Bertolt Brecht
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O ladrão de cerejas
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An einem frühen Morgen,
lange vor Hahnenschrei,
Wurde ich geweckt durch ein
Pfeifen und ging zum Fenster.
Auf meinem Kirschbaum –
Dämmerung füllte den Garten –
Sass ein junger Mann mit
geflickter Hose
Und pflückte lustig meine Kirschen. Mich sehend
Nickte er mir zu, mit
beiden Händen
Holte er die Kirschen von
den Zweigen in seine Taschen.
Noch eine ganze Zeitlang,
als ich wieder in meiner Bettstatt lag
Hörte ich ihn sein
lustiges kleines Lied pfeifen.
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Numa manhã, cedo ainda, muito antes do
galo cantar,
Fui despertado por um assobio e fui á janela.
Sobre uma cerejeira – o crepúsculo
inundava o jardim –
Estava sentado um jovem com umas calças
remendadas
E colhia alegre as minhas cerejas. Vendo-me,
Ele acenou-me e com ambas as mãos
Ele tirava as cerejas dos ramos para os
seus bolsos.
Ainda durante algum tempo, quando de novo
estava na cama
Ouvi-o a sua pequena canção assobiar.
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Hotelzimmer 1942
Bertolt Brecht
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Quarto de hotel 1942
Bertolt Brecht
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Vor der weissgetünchten
Wand
Steht der schwarze
Soldatenkoffer mit den Manuskripten.
Darauf liegt das Rauchzeug
mit den kupfernen Aschbechern.
Die chinesische Leinwand,
zeigend den Zweifler
Hängt darüber. Auch die
Masken sind da. Und neben der Bettstelle
Steht der kleine
sechslampige Lautsprecher.
In der Früh
Drehe ich den Schalter um
und höre
Die Siegesmeldungen meiner Feinde.
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Junto da parede caiada de branco
Está a mala preta do soldado com os manuscritos,
Sobre ela as coisas de fumar junto do
cinzeiro de cobre,
Por cima a tela chinesa mostrando o retrato
do céptico.
E as máscaras também estão lá. E junto
da cama
Está o pequeno aparelho de seis válvulas
com o seu altifalante.
De manhã cedo
eu ligo o interruptor e oiço
Os anúncios da vitória dos meus inimigos.
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Die Maske des Bösen
Bertolt Brecht
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A máscara do mal
Bertolt Brecht
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An meiner Wand hängt ein
japanisches Holzwerk
Maske eines bösen Dämons,
bemalt mit Goldlack.
Mitfühlend sehe ich
Die geschwollenen Stirnadern, andeutend
Wie anstrengend es ist,
böse zu sein.
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Junto da minha parede eu tenho uma
escultura japonesa de madeira,
Máscara de um terrível demónio, pintada
com laca dourada.
Profundamente preocupado eu vejo
Aquelas veias inchadas na testa, mostrando
Quão fatigante é ser-se mau.
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Duas canções segundo as palavras
de Pascal
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Despite these miseries, man
wishes to be happy, and only wishes to be happy, and cannot wish not to be
so.
But how will he set about
it? To be happy he would have to make himself immortal. But, not being
able to do so, it has occurred to him to prevent himself from thinking of
death.
The only thing which
consoles us for our miseries is diversion, and yet this is the greatest of
our miseries. For it is this which principally hinders us from reflecting
upon ourselves, and which makes us insensibly ruin ourselves. Without this
we should be in a state of weariness, and this weariness would spur us to
seek a more solid means of escaping from it. But diversions amuse us and
lead us unconsciously to death.
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A despeito destas
misérias, o homem deseja ser feliz e só deseja ser feliz e não pode
desejar que seja de outra maneira.
Mas como pode pensar assim? Para ser feliz
teria de se tornar imortal. Mas não o podendo fazer, ocorreu-lhe
impedir-se de pensar na morte.
A única coisa que nos consola pelas nossas
misérias é a diversão e, contudo, esta é a maior das nossas misérias,
porque é esta que principalmente nos impede de reflectir sobre nós
próprios e que nos faz insensivelmente arruinar-nos. Sem ela nós
devíamos ficar num estado de aborrecimento e este aborrecimento
estimular-nos-ia a procurar um meio mais sólido de fugir dele. Mas
diversões divertem-nos e conduzem-nos inconscientemente à morte.
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Die Letzte Elegie
Bertolt Brecht
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A última elegia
Bertolt Brecht
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Über den vier Städten
kreise die Jagdflieger
Der Verteidigung in grosser
Höhe
Damit der Gestank der Gier
und des Elends
Nicht bis zu ihnen heraufdringt.
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Sobre as quatro cidades circulam os aviões
de caça
Do Departamento de Defesa, a grande altura,
Para que o mau cheiro da cobiça e da
miséria
Não os atinja.
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Winterspruch
Bertolt Brecht (aus:
"Die heilige Johanna der Schlachthöfe")
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Palavras no inverno
Bertolt Brecht (de: "A Santa Joana dos
campos de batalha")
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Der Schnee beginnt zu
treiben
Wer wird denn da bleiben?
Da bleiben, wie immer so
auch heut
Der steinige Boden und die
armen Leut.
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A neve começa a cair
Quem ficará ali então?
Ali permanecerão como sempre
As frias pedras e os indigentes.
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Cinco elegias de Bertolt Brecht
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I
Unter den grünen
Pfefferbäumen
Gehen die Musiker auf den
Strich, zwei und zwei
Mit den Schreibern. Bach
Hat ein Strichquartett im
Täschchen. Dante schwenkt
Den dürren Hintern.
II
Die Stadt ist nach den
Engeln genannt
Und man begegnet
allenthalben Engeln.
Sie riechen nach Öl und
tragen goldene Pessare
Und mit blauen Ringen um
die Augen
Füttern sie allmorgendlich
die Schreiber in ihren Schwimmpfühlen.
III
Jeden Morgen, mein Brot zu
verdienen
Gehe ich auf den Markt, wo
Lügen gekauft werden.
Hoffnungsvoll
Reihe ich mich ein zwischen
die Verkäufer.
IV
Die Stad Hollywood hat mich
belehrt
Paradies und Hölle können
eine Stadt sein.
Für die Mittellosen
Ist das Paradies die Hölle.
V
In den Hügeln wird Gold
gefunden
An der Küste findet man Ol.
Grössere Vermögen
Bringen die Träume vom
Glück
Die man hier auf Zelluloid schreibt.
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I
Debaixo dos verdes pimenteiros
Caminham os músicos, dois a dois,
Com os escritores. Bach
Tem um quarteto no bolso. Dante acena
Aos que ficam atrás.
II
A cidade é, segundo os anjos, chamada
E encontram-se anjos por todos os lados.
Eles cheiram a óleo e usam pessários
dourados
E com círculos azuis à volta dos olhos
Alimentam todas as manhãs os escritores
nos seus charcos.
III
Todas as manhãs, para ganhar o meu pão
Eu vou ao mercado, onde mentiras são compradas.
Cheio de esperança
Eu coloco-me na fila, entre os vendedores.
IV
A cidade de Hollywood ensinou-me
Que Paraíso e Inferno podem ser uma cidade.
Para os indigentes
É o Paraíso o Inferno.
V
Nas colinas é o ouro encontrado.
Na costa o petróleo achado.
Maiores bens
Trazem os sonhos da felicidade
Que o homem sobre o celulóide escreve aqui.
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Tradução do original: RDP - Maria de Nazaré
Fonseca
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