TeatroLIGNA Manobras de interacção com ouvintes
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EM BUSCA DA REVOLUÇÃO PERDIDA Uma coreografia radiofónica no centro da cidade de Lisboa
Mafalda Ferreira / Anabela Luís
Apoio do Instituto Alemão em Lisboa
A Antena 2 ao vivo na Rua Augusta Veja AQUI o mapa de localização
As Fotos...
As fotos dos ouvintes
E os Videos...
A Mobilização na Rua Augusta
AS INSCRIÇÕES
COMEÇOU!
O INÍCIO
SURPRESAS!
CARMEN DOLORES
A RÁDIO NA RUA
A ANSIEDADE AUMENTA
GRANDE FINAL
Na manhã do dia 25 de Abril de 1974, as rádios informavam os ouvintes para não saírem à rua, apelavam à calma, e que esperassem que os militares concluíssem a sua operação. Mas, os ouvintes não obedeceram ao apelo: saíram de casa, e participaram numa revolução. Um sonho estranho tornou-se realidade, um sonho que muita gente sonhou ao mesmo tempo com os olhos bem abertos: num dia o reino da ditadura caiu. Por um breve momento histórico, o poder apareceu para permanecer na rua. Talvez este sonho se tenha tornado realidade apenas como muita gente o desejava, como um sonho colectivo, realizando o acto político mais radical: acordando e exigindo fazer justiça pelas suas próprias mãos, interrompendo a normalidade da vida quotidiana – constatando que subitamente um oceano de imprevisibilidades se lhes depara pela frente.
Actualmente as ruas do centro de Lisboa servem de palco para sonhos colectivos completamente diferentes: os turistas encontram aqui a beleza, que as cidades de onde vêm perderam, os comerciantes procuram agradar-lhes, satisfazer- lhes os desejos, e os polícias controlam para que tudo permaneça como está. As ruas tornam-se um lugar para a apropriação dispersa privada de acomodações sem outra qualquer possibilidade.
A revolução é História: A memória de uma bela e incontornável situação está lentamente a desvanecer-se. Mas, o que acontecerá se assim não continuar? Pode a revolução ser lembrada numa outra situação incontrolável?
No dia 9 de Julho de 2008, às seis da tarde, a rádio fará o contrário do que fez no dia 25 de Abril de 1974: pedirá aos ouvintes que venham para a rua e se apropriem dela durante algum tempo.
A Antena 2 convida os ouvintes a traçar a revolução na Rua Augusta pela rádio. Os ouvintes
na rua constituem uma nova espécie de colectivo: dispersos como os consumidores, mas, no entanto, ligados pela rádio, que lhes propõe gestos, movimentos e acções. Um estranho colectivo: à primeira vista invisível – mas ao mesmo tempo capaz de agir de modo diferente das outras pessoas. Mesmo parar, o gesto mais comum numa rua - realizado pelo colectivo temporal dos ouvintes de rádio, mudará a situação na rua, configurando um novo sonho colectivo de situações imprevisíveis.
Tudo o que é necessário para participar, é um pequeno rádio portátil com auscultador, que será distribuído na Rua Augusta pelas cinco da tarde.